
O que está acontecendo entre a Alemanha e os Estados Unidos? Vocês viram a troca de farpas entre Donald Trump e Friedrich Merz?
Assista o vídeo no canal do YouTube Europa | Brasil pelo endereço https://youtube.com/shorts/0GppSfGQBlk?si=6qubKfKJ7m-V5mq0
“Uma nação inteira [EUA] está sendo humilhada pela liderança do Estado iraniano”, afirmou o chanceler federal da Alemanha no fim de abril.
Trump respondeu dizendo que Merz “não tem ideia do que está falando” e anunciou a retirada de militares baseados na Alemanha. “Vamos cortar muito mais do que 5.000 [militares]”, garantiu o presidente americano.
Tem muita gente perguntando se os EUA vão mesmo tirar soldados americanos da Alemanha. Em Berlim, a coisa já é dada meio que como certa.
O próprio ministro da Defesa alemão disse que essa retirada de 5 mil soldados era previsível. E os EUA já vêm reduzindo sua presença por aqui há muito tempo.
A Alemanha concentra várias bases militares americanas que funcionam como centros de comando, logística e operações.
A estimativa é que entre tropas fixas e temporárias, elas reúnam entre 35 e 40 mil soldados. Só o Japão reúne mais militares americanos.
E isso tem uma explicação histórica. Vocês já repararam que a maioria das bases americanas fica exatamente no território alemão que os EUA ocuparam depois da Segunda Guerra Mundial?
E nas décadas seguintes, com a Guerra Fria, a Alemanha era um ponto central por onde a Cortina de Ferro passava.
Antes de o Muro de Berlim cair, a estimativa é que havia cerca de 250 mil militares americanos por aqui. Desde então, esse número foi caindo.
Uma exceção foi depois da invasão da Ucrânia em 2022, quando os americanos enviaram mais soldados para a Alemanha.
Esse contingente era temporário e agora deve ser retirado. São exatamente os tais cinco mil soldados dos quais o Trump tem falado tanto.
“Já há algum tempo que se fala na retirada deles. Também recebemos a garantia de Joe Biden de que receberíamos mísseis Tomahawk. Donald Trump nunca repetiu isso”, disse Merz.
Pois é, esses mísseis Tomahawk são outro ponto de tensão transatlântica. Eles estão sendo muito usados na guerra no Irã, e os estoques americanos estão baixos. Então, já havia uma desconfiança de que esses mísseis não viriam mais pra Alemanha.
Agora, vale lembrar que essa promessa de entregar armas de longo alcance tinha gerado uma reação de Moscou.
Tecnicamente os Tomahawk poderiam atingir a Rússia, e Putin ameaçou posicionar mísseis semelhantes a uma distância de ataque do Ocidente. O que poderia levar a uma crise parecida com a dos tempos da Guerra Fria.
Hoje, a falta de mísseis desse tipo por aqui é vista pelos militares alemães como uma das vulnerabilidades do país.
A Alemanha tem aumentado muito o gasto em defesa e já possui o quarto maior orçamento militar do mundo. Só no ano passado, o aumento foi de 24%. Isso tem diminuído a dependência militar alemã dos EUA, mas ela ainda existe.
E se você prestar atenção, na maioria das declarações dos líderes europeus, tem sido enfatizado que a relação entre Europa e EUA é positiva para os dois lados. A Alemanha, por exemplo, fica bem no meio da Europa, um local estratégico para bases militares americanas.
Inclusive, a Alemanha, ao contrário de outros países europeus, tem permitido operações dos EUA ligadas ao conflito no Irã. E alguns soldados americanos feridos no Irã foram tratados em hospitais militares na Alemanha.
Merz era um dos únicos europeus que estava conseguindo manter o diálogo com Trump. É difícil saber se a declaração dele sobre a “humilhação” americana foi um escorregão ou de propósito, mas sem dúvida já deixou marcas nas relações entre os EUA e a Europa.




