
O governo belga assinou nesta quinta-feira (30/04) uma carta de intenções com a francesa Engie para adquirir o controle integral da frota nuclear operada pela companhia no país. O acordo abrange os sete reatores distribuídos entre as usinas de Doel e Tihange, toda a infraestrutura nuclear associada, os funcionários do setor e os passivos de longo prazo, incluindo os custos de descomissionamento. Como efeito imediato, todas as obras de desmontagem foram paralisadas.
O primeiro-ministro Bart De Wever resumiu a decisão numa frase: “Este governo opta por uma energia segura, acessível e sustentável, com menos dependência das importações de combustíveis fósseis e mais controle sobre o nosso próprio fornecimento.”
Uma reviravolta de duas décadas
Uma lei aprovada em 2003, impulsionada pela primeira participação dos Verdes no governo federal, determinava o desligamento completo de todos os reatores até o fim de 2025. A invasão russa da Ucrânia e o corte do fornecimento de gás natural mudaram o cálculo. Com os preços de eletricidade subindo mais de 50% e a incerteza sobre o conflito no Oriente Médio, o parlamento belga revogou essa mesma lei em maio de 2025, por ampla maioria.
O preço da operação ainda não foi revelado, e o silêncio tem razão de ser. Há tensões entre Engie e o governo sobre os custos de descomissionamento: a empresa contestou projeções que apontam para quase 3 bilhões de euros a mais do que os 8,7 bilhões já provisionados para esse fim.
Para a Engie, sair faz sentido. Em fevereiro, o diretor financeiro da companhia declarou que a empresa tinha “pouco interesse em manter ativos nucleares” e estava focada na transição para renováveis. O acordo prevê um processo de due diligence com prazo para definição dos termos comerciais até 1º de outubro de 2026, ainda sujeito à aprovação regulatória.




