
O corredor aéreo entre o Brasil e a Europa acumula, nesta primeira semana de junho, movimentos opostos que ilustram bem a complexidade do setor: de um lado, avanço comercial significativo; do outro, uma interrupção de origem trabalhista com impacto imediato sobre passageiros.
A Latam inaugura nesta segunda-feira, 1º de junho, a rota direta entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e Bruxelas, na Bélgica, tornando-se o 10º destino da companhia em solo europeu. A operação contará com três frequências semanais, operadas por Boeing 787-9, com partida do Brasil sempre no início da noite e retorno da Bélgica no começo da tarde.
A chegada à capital belga integra um ciclo de expansão que inclui Amsterdã, com voos inaugurados no fim de março, e Cidade do Cabo, com início previsto para 1º de julho. Para garantir capilaridade a partir de Bruxelas, a Latam fechou um acordo de codeshare com a Brussels Airlines, membro do Grupo Lufthansa, permitindo conexões a 17 destinos europeus operados pela aérea belga, entre eles Berlim, Zurique, Estocolmo, Varsóvia, Oslo e Praga.
Enquanto a Latam celebra a estreia, o cenário em Lisboa aponta para perturbações operacionais de curto prazo. Uma paralisação geral convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) para quarta-feira, 3 de junho, deve atingir setores como saúde, transporte, educação e aviação, em reação a mudanças na legislação trabalhista portuguesa.
Os efeitos sobre a aviação são concretos e já estão sendo contabilizados pelas companhias. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) projeta que mais de 500 voos programados para a quarta-feira possam ser impactados, incluindo operações antes e depois da paralisação.
A TAP Air Portugal informou que manterá apenas 79 voos na data, sendo 17 com origem ou destino no Brasil, cobrindo aeroportos no Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. A Azul, por sua vez, anunciou o cancelamento de quatro voos entre Campinas e Lisboa, tanto na saída do Brasil na terça-feira quanto no retorno na quarta. A Latam informou estar avaliando os efeitos da greve sobre suas operações.
O momento é especialmente sensível do ponto de vista diplomático e comercial. A paralisação coincide com a Semana do Brasil em Lisboa, evento realizado entre 27 de maio e 3 de junho que reúne o Fórum de Lisboa e uma série de atividades e encontros bilaterais. O Aeroporto de Lisboa recomendou que os passageiros confirmem o status de seus voos com as companhias aéreas antes de se dirigirem ao terminal.




