
As empresas suecas instaladas no Brasil seguem reforçando investimentos industriais, tecnológicos e de inovação no país. Anúncios recentes de Scania, Electrolux, Saab e Volvo mostram que os grupos mantêm apostas de longo prazo no mercado brasileiro, em setores que vão de transporte e eletrodomésticos à defesa e à mobilidade elétrica.
Os dados mais recentes das empresas indicam expansão de capacidade produtiva, novos aportes e avanço em tecnologias de descarbonização. Uma pesquisa da Business Sweden divulgada em maio complementa esse cenário: o levantamento, feito com 60 companhias suecas em operação no Brasil, mostrou que a maioria permanece lucrativa e espera ampliar o faturamento, ainda que o ambiente de negócios seja visto como mais desafiador.
Entre os entraves apontados estão juros altos, pressão inflacionária, complexidade regulatória, burocracia, carga tributária, procedimentos aduaneiros, exigências de conformidade e incerteza política. Entre os fatores favoráveis, destacam-se o tamanho do mercado brasileiro, a base industrial e a demanda por soluções em saúde, equipamentos industriais, mineração, mobilidade, energia e serviços digitais. Segundo a pesquisa, a marca sueca continua associada a qualidade, inovação, sustentabilidade e confiabilidade.
Os investimentos aparecem sobretudo na indústria. A Scania, presente no Brasil desde 1957, mantém em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, uma unidade com capacidade para produzir 30 mil veículos por ano e quase 6 mil funcionários. A companhia anunciou um ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões entre 2025 e 2028, voltado à descarbonização do transporte e à preparação industrial para novas tecnologias.
Desse total, R$ 120 milhões foram destinados à nacionalização da plataforma Super de chassis rodoviários, incluindo pesquisa e desenvolvimento, atualização da linha de montagem e desenvolvimento de fornecedores. A Scania informa ter mais de 2 mil caminhões movidos a gás em operação no Brasil e projeta chegar a cerca de 2.500 unidades até o fim de 2026.
A Electrolux, que completa 100 anos de presença no Brasil em 2026, inaugurou em 2025 uma fábrica de R$ 700 milhões em São José dos Pinhais, no Paraná. A unidade passou a produzir localmente liquidificadores e ventiladores antes importados. A expectativa é que a capacidade supere 5 milhões de produtos por ano em dois anos, equivalentes a 25% do faturamento de eletroportáteis da companhia no país. Em setembro, a empresa anunciou ainda um novo investimento de R$ 300 milhões em inovação em Curitiba.
Na defesa, o Brasil passou a contar com uma linha de montagem final do caça Gripen E em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O primeiro avião produzido no país foi apresentado pela Saab, Embraer e Força Aérea Brasileira em 25 de março. Pelo contrato assinado em 2014, o Brasil adquiriu 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monoposto e oito Gripen F biposto, das quais 15 serão montadas em Gavião Peixoto. Até março, 11 aeronaves haviam sido entregues.
Segundo a CNN Brasil, o contrato, que previa entregas até 2026, foi renegociado e prorrogado até 2032. A extensão do programa reforça o caráter de longo prazo da parceria industrial e tecnológica entre Saab, Embraer e a Força Aérea Brasileira.
Na área de veículos de passeio, a Volvo Car Brasil fechou 2025 com recorde de 9.721 carros emplacados, resultado que colocou a operação brasileira entre as 15 maiores da marca no mundo. No acumulado informado em setembro de 2026, a empresa registrava 5.007 emplacamentos e 17,7% de participação no segmento premium, mantendo a vice-liderança.
A eletrificação ganhou peso crescente no resultado. No primeiro semestre, veículos 100% elétricos representaram 53,2% das 3.980 unidades emplacadas pela marca. O sedã elétrico ES90 chegou ao mercado brasileiro por R$ 659.950. Já a Volvo Caminhões prepara a introdução no Brasil de veículos pesados movidos a gás natural liquefeito, tecnologia que a companhia já implementa no Chile e no Peru, embora ainda sem data de lançamento no mercado brasileiro.




