
Tradicionais regiões dominantes do futebol mundial, Europa e América Latina mediram forças novamente na Copa do Mundo de 2026 que se encerou no último domingo. A disputa entre os dois lados do Atlântico começou bem antes da bola rolar, nas previsões acerca das seleções mais bem preparadas e do provável artilheiro da competição.
Com três seleções entre os quatro semifinalistas e a Espanha como campeã ao bater a Argentina, não há como negar que a Europa prevaleceu.
O continente também teve o artilheiro da competição, Kylian Mbappé, com um total de 10 gols (dois a mais do que o argentino Lionel Messi).
E se sua seleção decepcionou este ano, a Alemanha foi líder disparada na corrida de negócios entre as marcas de material esportivo que apostaram na Copa do Mundo.
A Adidas chegou facilmente ao topo do ranking de vendas relacionadas a competição, faturando em torno de 1,7 bilhão de dólares. “A Copa do Mundo foi ótima e um enorme sucesso para a Adidas. Nós nos conectamos com consumidores do mundo todo de uma forma divertida, vendemos quatro vezes mais camisas do que na última Copa do Mundo e o dobro de bolas. Além disso, tivemos bons resultados também nas roupas streetwear inspiradas no futebol, que estão em alta demanda em todos os lugares”, disse o CEO da Adidas, Bjørn Gulden, em um comunicado.
Mais do que isso: a Adidas colheu frutos ao patrocinar ambas as seleções finalistas, Espanha e Argentina.
A americana Nike vendeu, segundo estimativas do mercado, em torno de 1,2 bilhão em produtos relacionados a competição, vindo a seguir a também alemã Puma com outros estimados 400 milhões de dólares.
No ambiente digital, os espanhóis também se destacaram. Nas 72 horas que separaram a antevéspera da decisão e o dia posterior ao fim do Mundial, as redes sociais dos principais clubes da Espanha e da própria seleção nacional explodiram.
Um levantamento feito pelo núcleo ModoData, da Imagem Corporativa, mediu o impacto da final da Copa do Mundo de 2026 sobre as plataformas digitais dos três principais clubes espanhóis — Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid — e da seleção espanhola. Foram comparados os números de seguidores de cada agremiação entre a última sexta-feira, 17 de julho, antevéspera da final do torneio, e a segunda-feira, dia 20 de julho, dia posterior ao da conquista do título.
A pesquisa mostrou que o Real Madrid continua sendo o clube espanhol de maior peso no ambiente digital, com 458,04 milhões de inscritos em seus canais. Ele ganhou 770.165 novos adeptos naquelas 72 horas, mas foi o Barcelona que registrou maior avanço no mesmo período: adicionou 1.996.544 novos seguidores, chegando a um total de 416,20 milhões nas plataformas monitoradas (Instagram, TikTok, X/Twitter, Facebook, YouTube e Twitch).
O salto do clube catalão é ainda mais significativo se comparado ao do Atlético de Madrid, que amealhou 189.993 novos nomes e chegou aos 88,40 milhões de seguidores.
A razão para o desempenho do Barcelona está dentro de campo: ele é o clube com mais atletas convocados para a seleção espanhola (oito) e boa parte da vitrine do Mundial passou por jogadores formados ou em atividade em suas fileiras. O jovem Lamine Yamal, 19 anos, é um bom exemplo. Ele é hoje apontado como o atacante mais valioso do mundo e foi uma das grandes sensações do torneio.
Fernando Torres, autor do gol dos espanhóis na final contra Argentina, é outro talento que pertence ao Barcelona.
O poderoso Real Madrid não teve nenhum jogador de seu elenco no escrete de La Roja. Mas cedeu vários de seus talentos às seleções de seus países de origem (como Vinicius Jr. para o Brasil, Kylian Mbappé para a França e Thibaut Courtois para a Bélgica, para ficar em apenas três nomes muito conhecidos).
Ajuda a entender a lógica dos números mencionados, o contingente de simpatizantes de cada um daqueles três principais clubes da Espanha. Estudos revelam que o Real Madrid tem a preferência de 37.9% dos torcedores do país, seguido pelo Barcelona com 25.4% e, bem mais atrás, pelo Atlético de Madrid, com 6,1%.
Em números absolutos La Roja somou 1.011.576 novos seguidores entre a antevéspera da final da Copa do Mundo e o dia seguinte à final do torneio. Com isso, saltou de 16,79 milhões para 17,80 milhões de inscritos em seus canais.
O ecossistema do futebol espanhol não ganhou pontos apenas em termos de contingente de participantes nas redes sociais. A campanha vitoriosa gerou também dinheiro: a federação nacional levou 50 milhões de dólares, mais a taxa de participação de 10 milhões de dólares a que todas as 48 equipes da competição tiveram direito.
Além disso, como a FIFA remunera cada clube que cede jogadores para a Copa do Mundo, o Barcelona acabou recebendo 2,45 milhões; o Real Madrid outros 2,14 milhões e o Atlético de Madrid ficou com 1,99 milhão.




