
A população da União Europeia deve cair 11,7% entre 2025 e 2100, o equivalente a 53 milhões de pessoas, saindo de 451,8 milhões para 398,8 milhões. Antes disso, ela ainda cresce, até um pico de 453,3 milhões em 2029. Para quem decide política pública, o prazo relevante é de três anos, não de 75.
Os números são da projeção demográfica mais recente do Eurostat, serviço estatístico da União Europeia. A comparação com o exercício anterior mostra a velocidade da revisão. Em 2023, o órgão projetava 420 milhões de habitantes em 2100, uma perda de 6% em relação a 2022. Em dois ciclos de atualização, o cenário para o fim do século perdeu cerca de 20 milhões de pessoas. A mudança não veio de nenhuma ruptura. Veio do acúmulo de dados correntes que entraram no modelo.
O principal deles é a fecundidade. Em 2024, a taxa da UE ficou em 1,34 filho por mulher, com 3,55 milhões de nascimentos, ante 1,38 no ano anterior. É o menor patamar desde que existe série comparável para o bloco, em 2001. O nível de reposição é de aproximadamente 2,1. O Eurostat projeta mais óbitos do que nascimentos em todo o período até 2100, o que deixa o saldo migratório como único componente positivo do crescimento.
A mudança maior é na estrutura etária
O número total esconde o que mais pesa. A fatia de 20 a 64 anos cai de 58% para 50% da população, enquanto o grupo de 80 anos ou mais sobe de 6% para 16%. O índice de dependência de idosos praticamente dobra, de 34,5% em 2025 para 59,7% em 2100, e a idade mediana sobe de 44,9 para 50,2 anos. A parcela com 85 anos ou mais mais que triplica, de 3,2% para 10,8%. Será mais de um em cada dez europeus.
A geografia também é desigual. A Alemanha segue como país mais populoso, mesmo caindo de 83,6 milhões para 74,7 milhões, e a França recua menos de 5%. A Espanha cresce, de 49,1 milhões para 49,8 milhões. As maiores contrações previstas estão na Polônia (31,6%), na Lituânia (33,4%) e na Letônia (33,9%). Em 18 dos 27 países a população encolhe. A variável capaz de alterar essas trajetórias é a imigração, hoje objeto de disputa eleitoral em boa parte do bloco.
O impacto fiscal divide leituras
Vale registrar as duas. O Relatório do Envelhecimento de 2024 da Comissão Europeia projeta alta de 1,2 ponto percentual do PIB nos gastos associados à idade entre 2022 e 2070, chegando a 25,6% do PIB, com a zona do euro saindo de 25,1% para 26,5%. Uma leitura possível é que o choque não é incontornável, porque três décadas de reformas previdenciárias já absorveram parte do custo. A leitura oposta lembra que a média encobre diferenças grandes. Nove países devem registrar aumento acima de 4 pontos percentuais do PIB, enquanto seis veem os custos caírem. O risco maior talvez não esteja na despesa, e sim na força de trabalho em queda que sustenta o crescimento.




