
O crescimento de médio prazo da Europa Central e Oriental caiu para uma média de 2,5% ao ano, metade dos cerca de 5% registrados antes de os países da região entrarem na União Europeia (UE). O número foi apresentado por Carlos Mulas-Granados, representante regional do Fundo Monetário Internacional (FMI), em conferência em Budapeste sobre o papel da Hungria no bloco e a possível adoção do euro. O evento foi organizado pelo Portfolio, portal húngaro de notícias financeiras.
Mulas-Granados chefia o escritório do FMI em Varsóvia, que acompanha as economias da Europa Central, Oriental e Sudeste. Segundo ele, o prazo para a região se aproximar do nível de renda da Europa Ocidental ficou bem mais longo. Na conta simples, uma economia que cresce 5% ao ano dobra de tamanho em cerca de 14 anos. A 2,5%, leva cerca de 28.
A contribuição da região para o crescimento da UE também recuou, para 27% entre 2020 e 2026, ante 30% antes da pandemia. Ele atribuiu a queda, em parte, ao enfraquecimento das perspectivas de exportação para a Alemanha, principal parceira comercial da Europa Central. As projeções do FMI divulgadas em julho preveem expansão de 0,7% da economia alemã neste ano e de 1,0% em 2027, com revisão para baixo de 0,2 ponto percentual no segundo ano em relação a abril. Para a Polônia, maior economia da região, o Fundo estima 3,4% neste ano e 2,4% no próximo.
Entre os desafios, Mulas-Granados citou o declínio demográfico e a concorrência crescente das exportações chinesas. Para enfrentá-los, recomendou diversificar o comércio, ampliar a participação de jovens, mulheres e trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho e acelerar a inovação e o preparo para a inteligência artificial.
Ele também defendeu que os países transformem os setores de energia, clima e defesa em novos motores de crescimento, em vez de depender principalmente de fornecedores dos Estados Unidos ou da Coreia do Sul na compra de equipamentos. Os gastos militares estão em alta na região. Um dos instrumentos é o SAFE, programa de 150 bilhões de euros em empréstimos para compras de defesa, concebido para estimular a aquisição de equipamentos europeus. Segundo a Comissão Europeia, braço executivo da UE, a Polônia ficou com a maior parcela, 43,7 bilhões de euros, seguida pela Romênia, com 16,7 bilhões. Na atualização de julho, o FMI avaliou que o aumento dos gastos com defesa compensa em parte o efeito dos preços mais altos de energia sobre as economias emergentes da Europa.
Para Mulas-Granados, o próximo orçamento da UE pode dar à região a chance de transformar seu modelo de crescimento. O texto em negociação cobre o período de 2028 a 2034. A Comissão propôs quase 2 trilhões de euros e reuniu fundos de coesão, que financiam regiões menos desenvolvidas, e recursos agrícolas em planos nacionais, além de criar um fundo de competitividade. Seis países que contribuem mais do que recebem do orçamento comum pediram, segundo a rede europeia de notícias Euronews, um corte de centenas de bilhões de euros. A Polônia argumentou, em reunião de ministros do bloco, que coesão e agricultura devem seguir no centro do orçamento. Os líderes dos 27 países voltam ao tema em reunião neste mês, com meta de acordo até o fim do ano.




