
O governo italiano suspendeu o imposto de circulação, conhecido como “bollo auto”, para carros pequenos e médios e para motos. A medida foi anunciada por Giorgia Meloni antes da reunião do Conselho de Ministros, que aprovou a proposta.
A isenção entra em vigor em 2027, e cada família terá direito a ela apenas para o primeiro carro ou a primeira moto. Segundo o governo, a medida cobre todas as motos e mais de 70% dos automóveis hoje em circulação no país, o equivalente a cerca de 14,5 milhões de veículos. O mesmo encontro do Conselho de Ministros também prorrogou a redução do imposto sobre o diesel, com um mecanismo de queda progressiva.
O bollo é um imposto regional, equivalente na Itália ao IPVA, cobrado todos os anos sobre a posse de veículos inscritos no registro público automotivo italiano, e sua arrecadação sustenta o caixa das regiões. É um dos tributos mais antigos do país, criado em 1953 como taxa de circulação e transformado, décadas depois, em imposto sobre a propriedade.
Com o fim da cobrança para essa fatia da frota, o governo estima uma perda de cerca de 2,3 bilhões de euros para as regiões só em 2027, valor que promete compensar. A arrecadação total do bollo, somando todas as categorias de veículos, gira historicamente entre 6 e 7 bilhões de euros por ano. Ainda não está claro se a compensação anunciada cobrirá integralmente o buraco deixado nas contas regionais, que usam o imposto para financiar áreas como saúde e transporte público.
A ideia de acabar com o bollo não é nova, nem exclusiva do atual governo. Silvio Berlusconi tentou aboli-lo em 2008, e Matteo Renzi fez o mesmo em 2016, sem sucesso: em ambos os casos, o obstáculo foi encontrar recursos para compensar as regiões. A versão aprovada agora contorna esse problema ao limitar a isenção a veículos pequenos e médios e a apenas um carro ou uma moto por família, em vez de abolir o imposto por completo.
Mesmo parcial, a medida é tratada como vitória por Forza Italia e Lega, que disputam seu crédito político. O vice-primeiro-ministro Antonio Tajani, da Forza Italia, chamou o tributo de “injusto e insuportável” e associou a decisão ao legado de Silvio Berlusconi, fundador do partido, e a seu lema de “menos impostos para todos”. Matteo Salvini, também vice-primeiro-ministro, reivindicou a autoria da proposta pela Lega e detalhou o alcance: 13 milhões de motoristas e 7 milhões de motociclistas deixarão de pagar o bollo a partir de 2027, para veículos com motor abaixo de 80 kW.
A data escolhida para a entrada em vigor não é neutra. O mandato atual do governo Meloni termina em 2027, quando a Itália deve realizar suas próximas eleições legislativas. Colocar o fim do bollo para coincidir com o início do ciclo eleitoral transforma a isenção em um ativo de campanha para os dois principais partidos da coalizão, num momento em que Forza Italia e Lega competem entre si pelo eleitorado de centro-direita.




