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	<title>Arquivo de Direitos Fundamentais - Europa | Brasil</title>
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		<title>Consenso fragilizado na UE: acordo para combater a violência contra mulheres é aprovado com divergências</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paula Janer]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 17:04:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após acaloradas negociações, os representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) e do Parlamento Europeu chegaram a um acordo sobre a primeira lei da UE para combater a violência contra as mulheres. Contudo, a definição de violação permaneceu como um ponto de divergência crucial. O projeto original da lei, apresentado pela Comissão Europeia em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após acaloradas negociações, os representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) e do Parlamento Europeu chegaram a um acordo sobre a primeira lei da UE para combater a violência contra as mulheres. Contudo, a definição de violação permaneceu como um ponto de divergência crucial.</p>
<p>O projeto original da lei, apresentado pela Comissão Europeia em março de 2022, definia o crime de violação como sexo sem consentimento, sem a necessidade de as vítimas apresentarem provas de força, ameaças ou coerção. Essa abordagem, baseada no conceito de &#8220;só sim significa sim&#8221;, ganhou destaque devido ao alarmante número de crimes sexuais contra mulheres e meninas.</p>
<p>No entanto, após meses de intensas negociações, 14 Estados-membros continuaram a bloquear a definição baseada no consentimento. Entre eles estão países como Bulgária, Hungria, Chéquia, França, Alemanha e Países Baixos, considerados progressistas dentro do bloco.</p>
<blockquote><p>A deputada irlandesa Frances Fitzgerald, uma das principais negociadoras do Parlamento Europeu, expressou sua decepção com o resultado, ressaltando a necessidade de proteger as mulheres da violência. Segundo estimativas da Agência dos Direitos Fundamentais da UE, cerca de 5% das mulheres na UE foram vítimas de violação após completarem 15 anos. &#8220;É perturbador para muitos de nós quue não se tenha conseguido incluir nesta diretiva uma definição de violação baseada no consentimento. É uma grande desilusão, tendo em conta a dimensão das estatísticas de violência na União Europeia&#8221;.</p></blockquote>
<p>Embora 11 países tenham aceitado a definição baseada no consentimento durante as negociações, uma cláusula de revisão foi incluída de última hora, juntamente com medidas para aumentar a conscientização sobre consentimento sexual e promover uma cultura baseada no consentimento.</p>
<p>No entanto, muitos consideram que essas medidas não atingem a ambição original da Comissão Europeia de criminalizar o sexo não consentido em todo o bloco. O projeto final da lei também criminaliza outras formas de violência contra as mulheres, como casamento forçado e mutilação genital feminina, além de abordar lacunas jurídicas relacionadas à ciberviolência, incluindo assédio e perseguição online.</p>
<p>A análise sobre a definição de estupro na UE revelou três abordagens diferentes:</p>
<ul>
<li>o princípio do &#8220;apenas o sim significa sim&#8221;, aplicado em 14 países;</li>
<li>o princípio do &#8220;não significa não&#8221;, adotado na Alemanha e na Áustria</li>
<li>a exigência de resistência ou situação ameaçadora para caracterizar o estupro, presente em 11 países, incluindo a França e a Itália.</li>
</ul>
<p>No Brasil, o crime de estupro é definido como o ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso. Um projeto de lei apresentado em fevereiro do ano passado pelo deputado federal Eduardo Bismarck (PDT-CE) propõe modificar o Código Penal para deixar claro que ato sexual sem consentimento livremente expresso é estupro, o que aproximaria a norma brasileira do princípio &#8220;apenas o sim significa sim&#8221;. O texto está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.</p>
<p>A resistência à adoção do princípio &#8220;apenas o sim significa sim&#8221; pela UE gerou críticas de mulheres e ativistas dos direitos das mulheres em toda a Europa, destacando a necessidade de proteger as mulheres contra uma das formas mais hediondas de violência. Apesar do acordo alcançado, o texto final ainda aguarda a adoção formal pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu, com os países do bloco tendo três anos para transpor as regras para suas legislações nacionais.</p>
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