UE acelera conversas sobre minerais críticos com Brasil

19 de janeiro de 2026 3 minutos
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Enquanto o acordo União Europeia e Mercosul aguarda a ratificação pelo Parlamento Europeu, outro movimento começa a ser alinhavado por Ursula Von der Leyen.  Na última sexta-feira (16), ela se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, antes mesmo de viajar a Assunção.

A pauta era o desenho de um acordo político para investimentos conjuntos em matérias-primas estratégicas, como lítio, níquel e terras raras. Segundo Von der Leyen, esses materiais “tendem a se tornar um instrumento de coerção” no cenário geopolítico atual.

Seu comentário refere-se diretamente às recentes restrições chinesas à exportação de terras raras, implementadas em resposta às tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A China controla cerca de 60% da extração global desses minerais e domina mais de 90% da capacidade mundial de processamento. Já o Brasil detém 23% das reservas mundiais, atrás apenas do país asiático, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

A disputa é acirrada. Os Estados Unidos, através da International Development Finance Corporation (DFC), aprovaram em agosto de 2025 um empréstimo de US$ 465 milhões para a Serra Verde, única mina de terras raras operacional no Brasil, localizada em Goiás. Grande parte da produção da mina foi inicialmente vendida à China, mas esse contrato expira neste ano.

Do outro lado, a União Europeia lançou em dezembro de 2025 o Plano de Ação RESourceEU, estratégia para reduzir sua dependência de fornecedores externos de minerais críticos. A Europa, porém, enfrenta clara desvantagem financeira. O EXIM Bank americano vai investir US$ 100 bilhões em minerais críticos e energia, quantia que ofusca os quase US$ 3,5 bilhões alocados pela Europa para o RESourceEU.

Apesar do interesse internacional, o desenvolvimento de recursos de terras raras no Brasil tem sido prejudicado pela falta de financiamento local e entraves burocráticos. A Serra Verde, em Goiás, permanece como único projeto operacional no país, evidenciando a dificuldade de transformar o potencial geológico em produção efetiva.

Para empresas brasileiras, no entanto, o momento representa oportunidade única. A disputa entre Estados Unidos e União Europeia pelo acesso a minerais críticos brasileiros pode resultar em transferência de tecnologia, investimentos em processamento local e desenvolvimento de joint ventures que agregariam valor à cadeia produtiva nacional.

A visita de Von der Leyen ao Rio, portanto, sinaliza que a relação Brasil-Europa já opera em múltiplas camadas – e que, em alguns temas estratégicos, Bruxelas não pode se dar ao luxo de esperar uma década.

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