
A União Europeia e os Estados Unidos estão em fase avançada de negociações para coordenar a produção e o fornecimento de minerais críticos, segundo informações da Bloomberg News divulgadas nesta sexta-feira (10). O acordo em gestação representa um dos movimentos mais concretos do Ocidente para reduzir uma vulnerabilidade estrutural que ficou escancarada ao longo de 2025.
O potencial acordo criaria incentivos, incluindo garantias de preços mínimos, que poderiam favorecer fornecedores não chineses, com base num rascunho de “plano de ação”. As duas partes também cooperariam em padrões, investimentos e projetos conjuntos, além de coordenar respostas a eventuais perturbações no fornecimento por países como a China.
A dimensão do acordo é ampla. Segundo um memorando de entendimento não vinculante, a parceria cobriria os minerais críticos ao longo de toda a cadeia de valor, desde a exploração e extração até o processamento, refino, reciclagem e recuperação.
O contexto que impulsiona esse movimento é inequívoco. Para 19 dos 20 minerais estratégicos mais importantes, a China é a principal refinadora, com uma fatia de mercado média de 70%, segundo o Global Critical Minerals Outlook 2025 da Agência Internacional de Energia. No caso específico das terras raras, a concentração é ainda mais severa: Pequim minera cerca de 60% do total global, processa aproximadamente 90% e fabrica cerca de 94% dos ímãs contendo terras raras usados na energia limpa e em veículos elétricos.
Esse poder de mercado deixou de ser meramente comercial em abril de 2025. Quando o governo chinês introduziu controles de exportação sobre sete elementos pesados de terras raras, montadoras nos EUA, na Europa e em outros mercados tiveram dificuldades para obter ímãs permanentes, com algumas forçadas a cortar taxas de utilização ou mesmo interromper temporariamente a produção. Os preços europeus chegaram a seis vezes os praticados na China.
Pequim posteriormente suspendeu parte dos controles mais amplos por um ano, um recuo que analistas interpretam como manobra tática. A suspensão temporária, em vigor até novembro de 2026, foi enquadrada por Pequim como um “ajuste temporário”, sem referência a mudanças estruturais de política.
Em março, o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, descreveu como “muito positiva” uma reunião com o representante comercial americano Jamieson Greer à margem de uma reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio nos Camarões, onde os dois lados concordaram em avançar nas discussões sobre minerais críticos.
A UE está preparada para assinar um memorando de entendimento com os EUA para desenvolver um “Strategic Partnership Roadmap” em até três meses, segundo pessoas familiarizadas com o tema. O acordo bilateral também serviria de base para uma arquitetura multilateral: as duas partes buscam atrair outros parceiros de pensamento similar para um acordo mais amplo, visando construir cadeias de fornecimento resilientes para minerais essenciais a tecnologias que vão de sistemas de mísseis e caças a veículos elétricos e infraestrutura de energia renovável.
O Japão já integra as conversações. Segundo fontes familiarizadas com os preparativos, o Escritório do Representante Comercial dos EUA conduzirá tratativas para um acordo comercial que deve incluir um piso de preços e tarifas sobre os materiais, para neutralizar distorções de mercado promovidas pela China.






