
Os 27 países da União Europeia concordaram, no dia 03 de julho, em iniciar o processo de abertura de mais um bloco de negociação nas conversas de adesão com a Ucrânia e a Moldávia. A decisão, tomada em reunião técnica dos Estados-membros, abre caminho para o sexto bloco, dedicado a relações externas, política externa e segurança, com cerimônia formal prevista para o próximo dia 14. O calendário já está definido: uma carta convite deve ser aprovada pelos embaixadores dos países membros na quarta (08), sem previsão de debate, e a posição comum do bloco para formalizar a abertura será submetida à aprovação no dia 13, véspera da conferência intergovernamental que deve confirmar o novo capítulo.
Trata-se do segundo bloco aberto para os dois países candidatos em menos de dois meses. O primeiro, batizado de fundamentos e voltado a justiça, Estado de direito e reforma da administração pública, foi aberto em 15 de junho, em Luxemburgo, encerrando um impasse de mais de dois anos imposto pelo veto húngaro.
A mudança de posição de Budapeste está diretamente ligada à derrota eleitoral de Viktor Orbán em abril. Depois de dezesseis anos no poder, o então primeiro-ministro húngaro foi superado nas eleições parlamentares de 12 de abril pelo partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, que obteve maioria de dois terços no parlamento. Orbán mantinha a candidatura ucraniana bloqueada havia anos, citando corrupção e o tratamento dado à minoria húngara na região da Transcarpátia, no oeste da Ucrânia. O novo governo húngaro chegou a um acordo com Kiev sobre os direitos dessa minoria no início de junho, removendo o principal obstáculo para a abertura do primeiro bloco.
Ainda assim, seria precipitado descrever Magyar como um entusiasta incondicional da causa ucraniana. O novo premiê húngaro já se declarou contrário ao envio de armas a Kiev e defende que a entrada do país na União Europeia seja gradual e baseada em mérito, não em pressa política. Essa ambivalência ajuda a explicar por que a presidência irlandesa do Conselho da UE, iniciada em 1º de julho, optou por uma abordagem mais cautelosa do que a defendida pela Comissão Europeia, que pressionava para abrir os cinco blocos restantes ainda antes do recesso de verão. Dublin propôs avançar um bloco de cada vez, e o bloco seis, por tratar sobretudo de coordenação diplomática e de segurança, tornou-se o candidato natural a essa segunda etapa.
A meta ucraniana de estar tecnicamente pronta para aderir à União Europeia já em 2027 é vista com reservas por parte de governos do bloco, que temem comprometer a credibilidade de um processo historicamente baseado em mérito e não em prazos políticos. A conclusão do processo ainda depende do fechamento de 33 capítulos de legislação, organizados nos seis blocos de negociação, e da ratificação final de um tratado de adesão pelos parlamentos dos 27 Estados-membros.




