
O rei Harald V, da Noruega, morreu nesta sexta-feira (28) aos 89 anos, depois de complicações de uma anemia hemolítica. Ele era o monarca mais velho do continente e o segundo com reinado mais longo, atrás apenas do rei Carl XVI Gustaf, da Suécia. Seu filho assumiu o trono como Haakon VIII e se tornou, aos 53 anos, o monarca mais recente da Europa.
A saída de Harald reorganiza duas disputas que os europeus adoram acompanhar: quem é o monarca mais velho do continente e quem está no trono há mais tempo. As duas coroas, que Harald acumulava, agora se separam.
Pela idade, quem assume o posto é o príncipe Hans-Adam II, de Liechtenstein, de 81 anos. Mas o dado vem com ressalva: desde 2004 ele transferiu as funções de governo ao filho, o príncipe herdeiro Alois, e vive afastado da rotina pública. Por isso, quem costuma aparecer nas listas como “o mais velho em atividade” é o rei Carl XVI Gustaf, da Suécia, de 80 anos, que também segue como o monarca com reinado mais longo da Europa, no trono desde 1973.
A Europa mantém hoje dez casas reais hereditárias, além do papado, que é uma monarquia eletiva, e do principado de Andorra, com um sistema de dois chefes de Estado. Veja a lista, do reinado mais longo ao mais recente:
País | Monarca | Idade | No trono desde | Anos de reinado |
| Suécia | Carl XVI Gustaf | 80 | 15/09/1973 | 52 |
| Liechtenstein | Hans-Adam II | 81 | 13/11/1989 | 36 |
| Mônaco | Albert II | 68 | 06/04/2005 | 21 |
| Países Baixos | Willem-Alexander | 59 | 30/04/2013 | 13 |
| Bélgica | Philippe | 66 | 21/07/2013 | 13 |
| Espanha | Felipe VI | 58 | 19/06/2014 | 12 |
| Reino Unido | Charles III | 77 | 08/09/2022 | 3 |
| Dinamarca | Frederik X | 58 | 14/01/2024 | 2 |
| Luxemburgo | Guillaume V | 44 | 03/10/2025 | menos de 1 |
| Noruega | Haakon VIII | 53 | 28/08/2026 | recém coroado |
A diferença de idade entre o monarca mais velho, Hans-Adam II, e o mais novo, Guillaume V, do Luxemburgo, passa de 37 anos.
Liechtenstein é um país de 41 mil habitantes entre a Suíça e a Áustria, mas seu príncipe reinante é considerado o monarca mais rico da Europa. Segundo estimativa da revista Jacobin, sua fortuna pessoal chega a US$ 12,6 bilhões, boa parte ligada ao grupo bancário LGT, controlado pela família principesca. Como acontece com outras fortunas reais, o valor exato varia conforme a fonte. Diferente da maioria das monarquias europeias, que exercem funções só cerimoniais, o príncipe de Liechtenstein mantém poderes constitucionais relevantes, como o de vetar leis e dissolver o parlamento.
O papa Leão XIV, eleito em maio de 2025, é soberano da Cidade do Vaticano e por isso também entra na lista de chefes de Estado monárquicos da Europa. É o único caso de monarquia eletiva do continente: o papa é escolhido pelo colégio de cardeais, não herda o cargo por nascimento. Também é considerado o único monarca absoluto que resta na Europa, já que concentra os poderes legislativo, executivo e judiciário do menor Estado do mundo.
Andorra tem um arranjo único: o pequeno principado dos Pirineus é chefiado por dois copríncipes, o bispo de Urgell, cargo hoje ocupado por Josep-Lluís Serrano Pentinat, e o presidente da França. Desde 2017 esse papel é exercido por Emmanuel Macron, que soma à presidência de uma república o título de monarca de um Estado vizinho.
Em 15 de agosto, no Dia Nacional do país e dias antes da morte de Harald V, Liechtenstein anunciou uma mudança na lei da Casa Principesca: o país deixou de restringir a sucessão ao trono apenas a homens. Era o último caso na Europa em que vigorava a lei agnática, que impedia mulheres de herdar a coroa mesmo quando tinham irmãos mais novos. A partir de agora, vale a primogenitura absoluta: herda o trono o primeiro filho do príncipe, seja homem ou mulher. A mudança não afeta a linha de sucessão atual, que segue tendo como herdeiro o príncipe Joseph Wenzel, filho de Alois. Ela vale só para os descendentes que nascerem daqui para a frente.
Nos últimos treze anos, cinco das dez casas reais europeias trocaram de monarca por abdicação: Países Baixos (2013), Bélgica (2013), Espanha (2014), Dinamarca (2024) e Luxemburgo (2025). O padrão contrasta com os dois casos mais recentes de sucessão por morte do titular, Reino Unido em 2022 e Noruega nesta sexta-feira, que seguiram o modelo tradicional de reinado vitalício.
Entre os herdeiros diretos dos tronos europeus, a maioria são mulheres: a princesa Leonor, da Espanha, a princesa Elisabeth, da Bélgica, a princesa Ingrid Alexandra, agora princesa herdeira da Noruega, a princesa Amalia, dos Países Baixos, e a princesa Estelle, da Suécia. É a primeira vez que isso acontece na Europa, resultado de mudanças nas leis de sucessão de vários países nas últimas décadas, o mesmo movimento que Liechtenstein acaba de seguir.




