
Os islandeses vão às urnas em 29 de agosto para decidir se o governo deve reabrir as negociações de adesão à União Europeia, suspensas desde 2013. A votação interessa a Bruxelas muito além dos cerca de 390 mil habitantes do país.
A Islândia ocupa uma posição incomum entre os candidatos ao bloco. O país já integra o Espaço Econômico Europeu, a área Schengen e a Associação Europeia de Livre Comércio, e por isso já aplica boa parte da legislação da União Europeia, mesmo sem ter assento nas instituições em Bruxelas. É uma situação diferente da Ucrânia e dos países dos Bálcãs Ocidentais, que precisam de reformas profundas em Justiça e economia e têm processos travados há anos.
Há ainda uma diferença no cálculo financeiro. A Islândia entraria como contribuinte líquida aos cofres da União Europeia, e não como beneficiária de fundos, que é o padrão nas expansões anteriores do bloco. Por isso, o debate em Bruxelas foca menos no custo da integração e mais no ganho geopolítico.
Esse ganho é grande. A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, disse que um “sim” da Islândia daria fôlego a uma política de expansão hoje parada. Pesa também a postura do governo de Donald Trump em relação à Groenlândia, vizinha da Islândia, e o aumento das tensões de segurança no Ártico. A ilha fica em um trecho estratégico do Atlântico Norte, usado pela Otan para monitorar navios russos, mesmo sem ter exército próprio.
No plano interno, a disputa segue equilibrada. Uma pesquisa do instituto Gallup, feita dias antes da votação, mostrou empate técnico: 46% de cada lado e 8% de indecisos. No mercado de apostas Polymarket, o “sim” chegou a mais de 60% em meados de agosto e caiu para cerca de 52%. Parte da população compara o clima ao do referendo do Brexit, porque a discussão divide até famílias, segundo relatos à imprensa internacional.
A votação de 29 de agosto não decide a adesão. Um resultado favorável abre negociações de dois anos ou mais, seguidas por um segundo referendo, previsto para 2028. Um “não”, segundo o governo, encerra o assunto por tempo indeterminado.




