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	<title>Arquivo de Cenário - Europa | Brasil</title>
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		<title>Reino Unido troca de premiê pela sétima vez na década do Brexit</title>
		<link>https://europa-brasil.com/reino-unido-troca-de-premie-pela-setima-vez-na-decada-do-brexit/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 18:33:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brexit]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na véspera do décimo aniversário do referendo que selou a saída do Reino Unido da União Europeia, o primeiro ministro Keir Starmer anunciou sua renúncia nesta segunda feira (22). Com a saída, o país caminha para o seu sétimo chefe de governo em apenas dez anos, uma rotatividade que não se via em Downing Street [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na véspera do décimo aniversário do referendo que selou a saída do Reino Unido da União Europeia, o primeiro ministro Keir Starmer anunciou sua renúncia nesta segunda feira (22). Com a saída, o país caminha para o seu sétimo chefe de governo em apenas dez anos, uma rotatividade que não se via em Downing Street desde o século XIX. A coincidência de datas não é casual: o Brexit, que em 23 de junho de 2016 prometia resgatar a soberania e a prosperidade britânicas, tornou se sinônimo de instabilidade política e de uma economia que, na avaliação dos próprios britânicos, ficou pior do que era antes da saída.</p>
<p>Starmer permaneceu menos de dois anos no cargo. Eleito com ampla maioria parlamentar em julho de 2024, viu sua aprovação despencar em meio a uma economia estagnada, o aumento do custo de vida agravado pela guerra no Oriente Médio e o avanço do Reform UK, partido de ultradireita liderado por Nigel Farage. O escândalo envolvendo a nomeação e posterior destituição de Peter Mandelson como embaixador em Washington, após revelações sobre seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, acelerou a debandada dentro do próprio partido. A derrota acachapante do Labour nas eleições locais inglesas e regionais na Escócia e no País de Gales, em 7 de maio, selou seu destino. Starmer perdeu a confiança de sua bancada parlamentar e optou por renunciar.</p>
<p>O favorito para sucedê-lo é Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, que na semana passada conquistou uma cadeira parlamentar ao derrotar o Reform em Makerfield. Starmer informou que as indicações para a liderança serão abertas em 9 de julho e encerradas quando o Parlamento entrar em recesso de verão, previsto para 16 de julho. Caso não haja disputa, Burnham pode assumir pouco depois. Se houver, o novo líder será escolhido até 1º de setembro.</p>
<p>A sucessão de primeiros ministros desde 2016 é, por si só, a medida mais eloquente da crise aberta pelo referendo. David Cameron renunciou no dia seguinte à votação, após ter convocado a consulta popular apostando na vitória da permanência. Theresa May consumiu seu mandato em tentativas fracassadas de aprovar um acordo de saída no Parlamento e renunciou em maio de 2019. Boris Johnson assumiu em julho daquele ano e venceu as eleições de dezembro com o slogan &#8220;Get Brexit Done&#8221;, mas caiu em 2022 em meio a escândalos, entre eles as festas em Downing Street durante a pandemia. Liz Truss permaneceu no cargo por apenas 45 dias, derrubada pela reação dos mercados a seu plano fiscal, com queda da libra e intervenção do Banco da Inglaterra. Rishi Sunak, que a sucedeu como terceiro premiê em três meses, fez promessas voltadas à economia, à imigração ilegal e ao sistema de saúde, mas conduziu os conservadores à pior derrota de sua história nas eleições de julho de 2024.</p>
<p>Sob o governo Johnson, o Reino Unido encerrou definitivamente seus 47 anos de pertencimento à UE em 31 de janeiro de 2020. Nos anos seguintes, o país tentou trilhar caminho próprio, mas enfrentou dificuldades para impulsionar uma economia de baixo crescimento, prejudicada por dívidas elevadas e gastos crescentes com o Estado de bem estar social, num momento de crescente volatilidade geopolítica. Analistas concordam que o fraco desempenho econômico desde a crise financeira de 2008 deixou os sucessivos governos com poucas opções para oferecer cortes de impostos ou aumento de gastos. &#8220;Os eleitores querem que os políticos os tornem mais ricos. Eles não podem fazer isso, mas fingem que podem&#8221;, disse Vernon Bogdanor, professor do King&#8217;s College London.</p>
<p>A opinião pública britânica reflete a frustração acumulada. Uma pesquisa do European Council on Foreign Relations (ECFR), realizada de 7 a 14 de maio com mais de 2 mil entrevistados, revelou que dois terços consideram que o Brexit teve impacto negativo sobre o país. Entre os ouvidos, dois terços apontaram que a saída elevou o custo de vida e prejudicou a economia. Além disso, 56% consideram que ela foi prejudicial para o combate à imigração ilegal, para o comércio e para a burocracia, enquanto 57% acreditam que reduziu as oportunidades para os jovens. E 57% disseram que a decisão de sair foi &#8220;errada&#8221;. Três quartos desejam agora laços mais estreitos com a UE. Os britânicos, segundo a mesma pesquisa, preferem a Europa aos Estados Unidos como parceiro de segurança: apenas 18% consideram os EUA um aliado confiável.</p>
<p>O controle da migração, que foi um dos principais motores da campanha pelo Leave, também não entregou o que prometeu: 56% dos entrevistados consideram que a abordagem pós Brexit fracassou nesse quesito e apoiam o restabelecimento da livre circulação com a UE em troca de uma relação comercial mais estreita. Como observou Mark Leonard, diretor do ECFR, &#8220;os britânicos percebem que suas esperanças de uma vida melhor fora da UE não estão se concretizando e que o Brexit está prejudicando a capacidade do Reino Unido de lidar com as questões que mais importam aos eleitores&#8221;. Uma pesquisa separada do ECFR, realizada em 15 países da UE, mostrou que dois terços dos europeus apoiariam o retorno do Reino Unido ao bloco no futuro.</p>
<p>O desafio, contudo, é maior do que qualquer ocupante de Downing Street. O Brexit reconfigurou alinhamentos políticos que tornaram o tema incendiário para qualquer governo. &#8220;Ele reconfigurou as filiações políticas&#8221;, observou Anand Menon, cientista político do King&#8217;s College London. &#8220;Sem dúvida, desempenhou um papel ao incentivar o pensamento populista e as forças políticas populistas.&#8221; O Reform UK surgiu como grande desafiante tanto do Labour quanto dos conservadores, e o sistema eleitoral de maioria simples amplifica a distorção: em 2024, o Labour conquistou 63% das cadeiras na Câmara dos Comuns com apenas 34% dos votos, o que reforça em parte do eleitorado a sensação de não ser representado.</p>
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		<title>UE lança roteiro para substituir testes em animais na avaliação de segurança química</title>
		<link>https://europa-brasil.com/ue-lanca-roteiro-para-substituir-testes-em-animais-na-avaliacao-de-seguranca-quimica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 18:59:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia publicou recentemente um roteiro com medidas concretas para eliminar progressivamente os testes em animais das avaliações de segurança química na União Europeia. O plano detalha como os experimentos com animais utilizados para verificar a segurança de produtos químicos para seres humanos e o meio ambiente serão gradualmente substituídos por abordagens sem uso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Europeia publicou recentemente um roteiro com medidas concretas para eliminar progressivamente os testes em animais das avaliações de segurança química na União Europeia. O plano detalha como os experimentos com animais utilizados para verificar a segurança de produtos químicos para seres humanos e o meio ambiente serão gradualmente substituídos por abordagens sem uso de animais, incluindo métodos baseados em inteligência artificial e grandes volumes de dados.</p>
<p>O documento marca a conclusão de um processo iniciado três anos antes. A Comissão disse que começará a implementar o roteiro imediatamente, em estreita colaboração com os Estados-membros, as agências da UE e demais partes interessadas.</p>
<p>O alcance da iniciativa é amplo. O roteiro cobre 15 áreas, incluindo produtos químicos industriais e de consumo, pesticidas e biocidas, medicamentos e aditivos para alimentação humana e animal. O documento está vinculado ao regulamento REACH, principal legislação europeia sobre substâncias químicas, e figura como um dos resultados do Plano de Ação Química apresentado em julho de 2025.</p>
<p>O ponto de partida numérico é revelador. Entre 2015 e 2023, mais de 15 milhões de animais foram utilizados para testes regulatórios na UE, com quase 40% deles envolvidos em avaliações de segurança química. A própria Comissão reconheceu que o progresso para substituir esses procedimentos tem sido, até o momento, lento demais.</p>
<p>O roteiro reúne 22 ações organizadas em três pilares estratégicos. O primeiro deles concentra-se na eliminação do uso de animais e inclui mais de 30 recomendações específicas para substituir, reduzir ou refinar os testes para avaliações de segurança humana e ambiental. Os dois pilares seguintes miram a liderança europeia na inovação científica e nos mecanismos de governança que permitam uma transição coordenada entre as diferentes legislações setoriais do bloco.</p>
<p>As declarações dos comissários responsáveis pela iniciativa refletem uma dupla ambição, científica e ética. Stéphane Séjourné, vice-presidente executivo para a prosperidade e a estratégia industrial, afirmou que o roteiro representa um avanço na modernização das avaliações de segurança química ao mesmo tempo em que reforça a liderança europeia em inovação. Jessika Roswall, comissária para o Meio Ambiente, disse que a Comissão está dando passos concretos para encerrar os testes em animais nesse campo regulatório.</p>
<p>Para 2029, a Comissão planeja realizar uma conferência de alto nível para avaliar os avanços obtidos, com foco na adoção de abordagens sem uso de animais em toda a legislação europeia pertinente, incluindo o REACH. O evento também envolverá consultas com partes interessadas para discutir os rumos futuros da transição.</p>
<p>O roteiro é resultado direto de um compromisso político assumido em 2023, quando a Comissão respondeu à Iniciativa de Cidadania Europeia &#8220;Save Cruelty-Free Cosmetics&#8221;, que reuniu assinaturas suficientes para obrigar uma resposta formal das instituições da UE. A combinação de pressão cidadã, atualização legislativa e desenvolvimento tecnológico delineia o que Bruxelas aposta ser um novo padrão regulatório para a avaliação de segurança de produtos químicos.</p>
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		<title>Portugal lidera greves na UE em 2026</title>
		<link>https://europa-brasil.com/portugal-lidera-greves-na-ue-em-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 20:11:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[greve]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O início de 2026 marcou uma escalada na conflitualidade laboral europeia, com salas de aula vazias, voos cancelados e consultas médicas suspensas em vários países da União Europeia. Os dados disponíveis revelam um paradoxo que merece atenção: há mais greves ao mesmo tempo em que os sindicatos perdem representatividade. Segundo levantamento divulgado pela Euronews com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O início de 2026 marcou uma escalada na conflitualidade laboral europeia, com salas de aula vazias, voos cancelados e consultas médicas suspensas em vários países da União Europeia. Os dados disponíveis revelam um paradoxo que merece atenção: há mais greves ao mesmo tempo em que os sindicatos perdem representatividade.</p>
<p>Segundo levantamento divulgado pela Euronews com dados da plataforma Strike Tracker, da DGERT e do órgão italiano CGSSE, Portugal liderou o ranking entre sete países da UE no primeiro trimestre de 2026, com 234 greves registradas, muito à frente da Itália, com 190, da Espanha, com 108, e da França, com 105.</p>
<p>As paralisações concentraram-se principalmente nos setores de transportes, educação, saúde e administração pública. Em Portugal, a tensão foi amplificada por dois fatores: o anúncio de um novo pacote trabalhista pelo governo de centro-direita e uma segunda greve geral nacional em seis meses, realizada em junho. A Confederação Empresarial de Portugal contestou a amplitude do movimento, afirmando que a adesão foi ainda menor do que na greve de dezembro de 2025, com setores como indústria química, metalomecânica e automóvel praticamente sem participação.</p>
<p>Na Itália, os servidores da polícia local anunciaram paralisação nacional em 12 de junho para pressionar por melhores condições de trabalho, após hospitalizações de agentes em serviço. No extremo oposto do espectro, os Países Baixos registraram apenas cerca de sete greves no mesmo período, acompanhados por Alemanha e Áustria como os países onde a greve é historicamente um recurso menos frequente.</p>
<p>Dados preliminares do Instituto Sindical Europeu indicam que 2025 poderá ter sido o ano com mais greves na UE desde 1991. Entre 2020 e 2024, Finlândia, Bélgica e França foram os países onde as paralisações ocorreram com maior frequência. O principal motor das grandes greves em 2024 foi a questão salarial, especialmente a incapacidade dos salários de acompanhar o custo de vida elevado pela inflação.</p>
<p>A contradição estrutural do movimento sindical europeu está nos números da OCDE. A proporção de trabalhadores sindicalizados caiu pela metade desde 1985, de 30% para 15% entre 2023 e 2024, com exceção da Bélgica. Em média nos 28 países da OCDE, 14,3% das mulheres empregadas estavam sindicalizadas em 2024, contra 15% dos homens. A sindicalização é significativamente mais forte no setor público, com 41,3% dos trabalhadores filiados, frente a apenas 10,1% no setor privado</p>
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		<title>União Europeia propõe 21º pacote de sanções contra a Rússia e congela teto do petróleo</title>
		<link>https://europa-brasil.com/uniao-europeia-propoe-21o-pacote-de-sancoes-contra-a-russia-e-congela-teto-do-petroleo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 21:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[Russia]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou nesta terça (9) sua proposta para um 21º pacote de sanções contra a Rússia, com medidas que atingem as vendas de petróleo, a chamada frota fantasma, bancos, empresas de criptomoedas, metais, produtos da pesca e militares que participaram da invasão em grande escala da Ucrânia. O elemento central é a decisão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou nesta terça (9) sua proposta para um 21º pacote de sanções contra a Rússia, com medidas que atingem as vendas de petróleo, a chamada frota fantasma, bancos, empresas de criptomoedas, metais, produtos da pesca e militares que participaram da invasão em grande escala da Ucrânia. O elemento central é a decisão de adiar a revisão do teto ao preço do petróleo russo, prevista para 15 de julho, em um movimento que busca impedir que a disparada das cotações conceda alívio econômico a Moscou.</p>
<p>A proposta surge no momento em que os aliados de Kiev procuram novas formas de relançar um processo de paz estagnado e levar o Kremlin a aceitar uma trégua como condição prévia para negociações. &#8220;A Rússia falhou claramente em subjugar a Ucrânia. O preço que paga é cada vez mais elevado e é pago sobretudo pelo povo russo&#8221;, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. &#8220;Por isso, o objetivo do nosso pacote não poderia ser mais claro: queremos manter toda a intensidade das nossas sanções.&#8221;</p>
<p>O limite de preço, aplicado pela UE em conjunto com o G7 e a Austrália desde dezembro de 2022, tornou se dinâmico no ano passado, com o teto fixado em 15% abaixo do preço médio de mercado. O bloqueio do Estreito de Ormuz, porém, alterou radicalmente a equação. O barril do petróleo russo dos Urais saltou de 58 dólares em fevereiro para 87 dólares, o que significa que uma revisão automática em julho elevaria o teto e, na prática, beneficiaria o Kremlin.</p>
<p>A Comissão propõe agora congelar o limite no patamar atual, de 44,10 dólares por barril, até janeiro de 2027. O mecanismo de ajuste &#8220;não foi concebido para choques de mercado como o provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz&#8221;, afirmou von der Leyen. Segundo ela, a pausa &#8220;vai dar tempo aos mercados de petróleo para estabilizarem, preservando ao mesmo tempo a pressão sobre as receitas da Rússia&#8221;.</p>
<p>A escolha pelo teto de preços representa um recuo tático. No início do ano, von der Leyen havia defendido a proibição total de serviços marítimos, bancários, de seguros e de registro de navios para petroleiros russos, plano apoiado por países nórdicos e bálticos. A proposta perdeu força com a eclosão do conflito no Oriente Médio e enfrentou resistência de Grécia e Malta, que prestam serviços a embarcações russas e condicionaram qualquer avanço à adesão do G7. Ao deslocar o foco, Bruxelas admite, na prática, que a proibição não avançará tão cedo. O tema deve voltar à mesa na cúpula de líderes do G7, marcada para a próxima semana na França.</p>
<p>O pacote inclui ainda 30 novos petroleiros da frota fantasma na lista negra, embarcações em estado de degradação considerado um risco ambiental e de segurança para a Europa. Mais de 600 navios do tipo já estão impedidos de acessar portos e serviços do bloco. Portos, refinarias e outras infraestruturas que apoiem essas operações também serão sancionados. A proposta atinge 31 bancos russos e 20 empresas e plataformas de criptomoedas e operadores de petróleo no exterior acusados de ajudar Moscou a driblar as restrições, além de proibir exportações de metais, ligas e componentes usados no setor de defesa e, pela primeira vez, importações de determinados produtos da pesca russa. As exportações europeias de alumina, por outro lado, devem ficar de fora do pacote, apesar da polêmica em torno de uma fábrica no oeste da Irlanda acusada de permitir, de forma indireta, a produção de armamento russo.</p>
<p>Um dos pontos de maior simbolismo é a proibição de entrada no espaço Schengen para militares russos que participaram da guerra, iniciativa apresentada pela Estônia no início do ano e que ganhou apoio de outros países. &#8220;A Europa continua interditada a quem participou da invasão da Ucrânia, é tão simples quanto isso&#8221;, disse von der Leyen.</p>
<p>A aprovação exige unanimidade dos 27 Estados membros, e diplomatas em Bruxelas esperam o aval antes de 15 de julho, para evitar a revisão automática do teto. O anúncio ocorre em meio à intensificação de ataques aéreos russos contra cidades ucranianas e a sinais crescentes de fragilidade na economia russa. &#8220;As nossas sanções continuam a se fazer sentir com força e em profundidade&#8221;, disse von der Leyen. &#8220;Estão enfraquecendo os alicerces econômicos do esforço de guerra da Rússia.&#8221;</p>
<p>No domingo, França, Alemanha e Reino Unido apoiaram a proposta do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, de um encontro presencial com Vladimir Putin, com base na atual linha de contato e condicionado a uma trégua prévia, com participação ativa dos Estados Unidos e da Europa.</p>
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		<title>Brexit ressurge na disputa pelo poder no Partido Trabalhista britânico</title>
		<link>https://europa-brasil.com/brexit-ressurge-na-disputa-pelo-poder-no-partido-trabalhista-britanico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 19:54:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A crise de liderança que ameaça derrubar Keir Starmer de Downing Street reabriu uma ferida que a política britânica jamais cicatrizou completamente. O Brexit voltou ao centro do debate, e desta vez é a própria esquerda que está dividida. Starmer, advogado e ex-procurador-geral público que chegou ao poder em julho de 2024 liderando uma vitória [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A crise de liderança que ameaça derrubar Keir Starmer de Downing Street reabriu uma ferida que a política britânica jamais cicatrizou completamente. O Brexit voltou ao centro do debate, e desta vez é a própria esquerda que está dividida.</p>
<p>Starmer, advogado e ex-procurador-geral público que chegou ao poder em julho de 2024 liderando uma vitória expressiva do Partido Trabalhista após 14 anos de governo conservador, enfrenta hoje uma revolta interna alimentada por resultados eleitorais desastrosos e índices de aprovação em queda. A perspectiva de que deixe o cargo nas próximas semanas, antes mesmo de completar dois anos de mandato, deixou o partido em estado de agitação.</p>
<p>Wes Streeting, ex-ministro da Saúde que pediu demissão do governo em 14 de maio para disputar a liderança do Partido Trabalhista, usou sua primeira aparição pública para defender o retorno do Reino Unido à União Europeia, classificando o Brexit como &#8220;um erro catastrófico&#8221;. A declaração, feita num evento organizado por uma entidade ligada ao trabalhismo, transformou o que poderia ser uma disputa de perfis numa divergência de visões sobre o futuro do país.</p>
<p>O momento escolhido é politicamente sensível.</p>
<p>O favorito à liderança é Andy Burnham, atual prefeito da Grande Manchester, que precisa vencer uma eleição complementar no distrito de Makerfield, no noroeste da Inglaterra, para se tornar membro do Parlamento, condição obrigatória para assumir o cargo de primeiro-ministro. O problema está nos números: cerca de dois terços dos eleitores de Makerfield votaram pelo Brexit no referendo de 2016, e o Reform UK, partido de direita populista liderado por Nigel Farage que nos últimos anos absorveu parte do eleitorado trabalhista tradicional do norte da Inglaterra, avança de forma consistente na região, que por décadas foi considerada reduto do Labour.</p>
<p>Nas eleições locais de 7 de maio, o Reform obteve cerca de 50% dos votos na região, contra apenas 25% dos trabalhistas, vencendo todas as cadeiras em disputa. Uma pesquisa da Survation indica que, com Burnham como candidato, o Labour tem mais chances de manter o assento, mas sem ele o partido de Farage seria favorito.</p>
<p>É nesse contexto que Streeting lançou seu apelo pela reentrada na UE, ressuscitando uma questão espinhosa justamente quando o partido começa a imaginar um futuro além de Starmer. Para Burnham, que embora seja pró-UE tem reiterado que respeita o resultado do referendo, a posição de Streeting cria um dilema: apoiar a proposta significa alienar eleitores que precisará conquistar em junho; rejeitá-la expõe uma divisão aberta no início da disputa.</p>
<p>Jonathan Hinder, deputado trabalhista pelo distrito de Pendle and Clitheroe, onde 65% votaram pelo Leave, nome dado ao campo favorável à saída da UE, afirmou à Times Radio que reabrir o debate seria &#8220;um nível assombroso de desconexão com a realidade&#8221;. &#8220;A ideia de que podemos nos reconectar à nossa base da classe trabalhadora reabrindo essa discussão é simplesmente estarrecedora&#8221;, disse o parlamentar.</p>
<p>A questão tem implicações concretas além do simbolismo político. Reintegrar o Reino Unido à UE exigiria negociações complexas e um novo tratado de adesão, com contribuições maiores ao orçamento de Bruxelas, uma vez que o país perdeu o chamado &#8220;rebate&#8221; histórico que reduzia sua cota. O processo também envolveria abrir mão das cláusulas de exceção que mantinham o Reino Unido fora do euro e do espaço Schengen.</p>
<p>Bruxelas, por ora, trata o assunto com cautela. &#8220;Não estamos nesse ponto&#8221;, disse a porta-voz oficial da Comissão Europeia ao ser questionada sobre a possibilidade de readmissão britânica. &#8220;No momento, há discussões sobre cooperação mais estreita em diversas áreas. É aí que estamos.&#8221;</p>
<p>O cenário econômico ajuda a explicar por que o tema voltou à superfície. Uma análise da Frontier Economics aponta que a remoção de barreiras comerciais entre o Reino Unido e a UE poderia gerar um incremento de 2,2% no PIB britânico a longo prazo, equivalente a cerca de £25 bilhões anuais em exportações. O Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social advertiu, por outro lado, que a ausência de acordo poderia provocar uma queda de 2,7% nas exportações até 2027, custando quase £30 bilhões à economia.</p>
<p>O acordo de &#8220;reset&#8221; anunciado por Starmer na cúpula desta semana promete um estímulo de £9 bilhões à economia britânica e redução nos preços dos alimentos, mas economistas já relativizaram o impacto, alertando que o benefício pleno só se materializaria por volta de 2040.</p>
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		<title>UE planeja redirecionar receitas do mercado de carbono para subsidiar agricultores em crise de fertilizantes</title>
		<link>https://europa-brasil.com/ue-planeja-redirecionar-receitas-do-mercado-de-carbono-para-subsidiar-agricultores-em-crise-de-fertilizantes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 16:48:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia prepara-se para apresentar, em 19 de maio, um plano de ação que prevê o redirecionamento de parte das receitas do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) para subsidiar agricultores pressionados pelo encarecimento dos fertilizantes. Uma proposta que, ao mesmo tempo que tenta conter uma crise de segurança alimentar, abre uma disputa delicada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Europeia prepara-se para apresentar, em 19 de maio, um plano de ação que prevê o redirecionamento de parte das receitas do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) para subsidiar agricultores pressionados pelo encarecimento dos fertilizantes. Uma proposta que, ao mesmo tempo que tenta conter uma crise de segurança alimentar, abre uma disputa delicada com a indústria de uso intensivo de energia.</p>
<p>O movimento parte de uma realidade que a Comissão não pode mais ignorar. Em abril de 2026, os fertilizantes nitrogenados custavam 70% a mais do que a média de 2024, após uma alta de 40% somente entre fevereiro e abril. O agravamento da crise no Médio Oriente está na raiz do problema: cerca de 30% do comércio global de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, cuja instabilidade expôs uma vulnerabilidade estrutural há muito subestimada por Bruxelas.</p>
<p>Segundo documento vazado obtido pela Euronews, a Comissão pretende propor um mecanismo de apoio financeiro direcionado, pelo qual uma parcela das receitas do ETS será canalizada para os agricultores, com o objetivo de acelerar a transição para o uso de fertilizantes de base biológica e com baixo teor de carbono.</p>
<p>A lógica é tortuosa, mas não sem precedentes na engenharia regulatória europeia: a agricultura, setor historicamente isento do ETS, passaria a ser beneficiária das receitas geradas justamente pelas indústrias que pagam pela poluição que emitem. A medida pode provocar resistência. Setores industriais sujeitos ao ETS  que arcam com os custos do carbono dificilmente verão com bons olhos o repasse de suas contribuições a um setor que nunca participou do esquema.</p>
<p>Há também uma camada de complexidade ligada ao Mecanismo de Ajustamento nas Fronteiras de Carbono (CBAM), que entrou em vigor em janeiro. O Comissário de Comércio, Maros Sefcovic, sinalizou em janeiro que a UE poderia suspender temporariamente as tarifas de carbono sobre fertilizantes caso o monitoramento identificasse impactos de mercado &#8220;imprevistos&#8221;. Desde então, a pressão política não cessou: desde 20 de fevereiro de 2026, há uma isenção de um ano sobre tarifas alfandegárias para amônia, ureia e outros fertilizantes nitrogenados, excluindo Rússia e Bielorrússia, com economia estimada em 60 milhões de euros.</p>
<p>O diagnóstico por trás do plano é claro quanto à fragilidade europeia. A capacidade de produção de amônia no continente recuou 10% nos últimos anos, pressionada pela concorrência de Estados Unidos, Trinidad e Tobago e Rússia. E a dependência de Moscou, mesmo após a invasão da Ucrânia, foi mais persistente do que muitos gostariam de admitir: a Rússia respondeu por cerca de 30% das importações de fertilizantes da UE entre 2024 e 2025, segundo dados do Eurostat.</p>
<p>Para reduzir essa vulnerabilidade a prazo mais longo, o documento prevê a criação de &#8220;corredores de amônia verde&#8221; com países da África e do Oriente Médio, além de mecanismos de monitoramento reforçado do mercado, possível formação de estoques estratégicos e contratos de carbono por diferença. O plano inclui ainda a revisão do regulamento europeu sobre fertilizantes, harmonizando regras para produtos de baixo carbono e base biológica, e uma redução nos limites de cádmio em fertilizantes fosfatados.</p>
<p>A questão climática atravessa o debate sem que nenhum lado consiga resolvê-la de forma limpa. As organizações ambientais pressionam para que o plano marque uma ruptura definitiva com os fertilizantes fósseis e não apenas transfira o custo de uma dependência estrutural para outro bolso. Do lado da indústria, a lógica é outra: qualquer encarecimento adicional dos insumos, seja pelo ETS ou pelo CBAM, corrói margens já comprimidas em países como França, Alemanha e Polônia, os maiores importadores históricos de fertilizantes russos antes da imposição das tarifas de 50% em junho de 2025.</p>
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		<title>UE lança primeira estratégia antipobreza, mas aposta em recomendações onde faltam leis</title>
		<link>https://europa-brasil.com/ue-lanca-primeira-estrategia-antipobreza-mas-aposta-em-recomendacoes-onde-faltam-leis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou na quarta-feira sua primeira estratégia abrangente de combate à pobreza, um pacote social que chega com ambição retórica considerável, mas que, na prática, repousa sobre recomendações não vinculativas e promessas de financiamento já comprometido em outros programas. A vice-presidente executiva Roxana Mînzatu, responsável pelos direitos sociais e competências, fixou um horizonte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou na quarta-feira sua primeira estratégia abrangente de combate à pobreza, um pacote social que chega com ambição retórica considerável, mas que, na prática, repousa sobre recomendações não vinculativas e promessas de financiamento já comprometido em outros programas.</p>
<p>A vice-presidente executiva Roxana Mînzatu, responsável pelos direitos sociais e competências, fixou um horizonte de 25 anos para erradicar a pobreza na União Europeia, meta que a própria presidente Ursula von der Leyen havia anunciado em seu discurso sobre o Estado da União em setembro do ano passado. O problema é que os números do presente tornam o objetivo ainda mais íngreme do que parece à primeira vista.</p>
<p>Segundo dados do Eurostat divulgados nesta semana, 92,7 milhões de pessoas, ou 20,9% da população da UE, vivem atualmente em risco de pobreza ou exclusão social. Mulheres são mais afetadas do que homens (21,9% contra 19,8%), e mais de um quinto das famílias com filhos dependentes também se enquadra nessa categoria.</p>
<p>O contexto torna a distância entre discurso e realidade difícil de ignorar. Em entrevista à Euronews, Mînzatu admitiu abertamente que a UE havia se comprometido, em 2021, a retirar pelo menos 15 milhões de pessoas da pobreza até 2030, e que, até agora, &#8220;apenas cerca de 3,7 milhões de europeus&#8221; foram ajudados.</p>
<p>O pacote inclui a estratégia antipobreza em si, uma proposta de recomendação do Conselho sobre exclusão habitacional e duas comunicações: uma sobre pobreza infantil, outra sobre direitos das pessoas com deficiência. Com 52% dos europeus apontando o custo de vida como sua principal preocupação, e 40% vendo a falta de moradia acessível como problema urgente, a pressão política sobre Bruxelas para agir é real.</p>
<p>Mas agir como, exatamente? A Comissão argumenta que a UE já destina recursos significativos ao problema: €50,2 bilhões do Fundo Social Europeu Plus para inclusão social e privação material, além de €100 bilhões para políticas sociais previstos no próximo orçamento plurianual 2028-2034. O que não existe é uma linha orçamentária dedicada exclusivamente à nova estratégia, o que, para críticos, esvazia parte do simbolismo do lançamento.</p>
<p>A Caritas Europa, uma das maiores redes de organizações sociais do continente, saudou o plano, mas não poupou críticas. A ausência de propostas legislativas concretas, alertou a organização, corre o risco de deixar os objetivos mais ambiciosos da estratégia sem os instrumentos necessários para realizá-los. A rede também apontou uma lacuna específica: o plano não protege os chamados cidadãos &#8220;móveis&#8221;, trabalhadores migrantes intracomunitários que acabam excluídos de proteções sociais tanto no país de origem quanto no de residência.</p>
<h2>Prioridades concretas, instrumentos difusos</h2>
<p>Entre as iniciativas mais tangíveis do pacote está o chamado &#8220;cartão de garantia da criança&#8221;, uma ferramenta digital para que governos identifiquem crianças em situação precária e as conectem a serviços gratuitos de saúde, educação e apoio social. O grupo etário de 16 a 29 anos também aparece como foco de atenção: em 2025, 24% dos jovens europeus estavam em risco de pobreza ou exclusão social, número associado ao desemprego juvenil, à evasão escolar e à proliferação de contratos precários e estágios não remunerados.</p>
<p>No campo habitacional, a Comissão recomenda que todos os países membros adotem estratégias nacionais de combate à situação de rua, com ênfase em sistemas de alerta precoce e aconselhamento em dívidas para evitar despejos. A estratégia integra o Plano Europeu de Habitação Acessível, lançado em dezembro passado, que reconheceu pela primeira vez a dimensão estrutural da crise habitacional no continente.</p>
<p>Para pessoas com deficiência, cerca de 90 milhões na UE, os dados são ainda mais sombrios: apenas 55% estão empregadas, contra 77% da população sem deficiência, e uma em cada três vive em risco de pobreza, quase o dobro da média europeia.</p>
<p>A questão de fundo que a estratégia não resolve é estrutural: a política social na UE continua sendo, em larga medida, competência dos Estados-membros. Bruxelas pode recomendar, coordenar e financiar, mas não pode impor. A própria Comissão reconhece que, mesmo estando ainda distante das metas estabelecidas, definir objetivos é preferível à omissão. É um argumento defensável, mas que soa mais como consolo do que como plano de ação.</p>
<p>Mînzatu anunciou ainda a criação de uma Coalizão contra a Pobreza até o final do ano e a abertura de um diálogo estruturado com pessoas em situação de pobreza, para que as políticas que as afetam sejam desenhadas também com sua participação. São gestos importantes. Mas, para quase 93 milhões de europeus que hoje vivem à margem, a distância entre o compromisso político e a mudança concreta continua sendo a questão central, ainda sem resposta clara.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Noruega toma as rédeas do maior depósito de terras raras da Europa</title>
		<link>https://europa-brasil.com/noruega-toma-as-redeas-do-maior-deposito-de-terras-raras-da-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 21:42:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo norueguês anunciou que assumirá diretamente o planejamento do depósito de Fen, no sul do país, depois que uma revisão das estimativas de recursos quase dobrou o tamanho da jazida. A decisão transforma o que era até então um projeto de mineração privada num assunto de Estado, com implicações que vão muito além das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo norueguês anunciou que assumirá diretamente o planejamento do depósito de Fen, no sul do país, depois que uma revisão das estimativas de recursos quase dobrou o tamanho da jazida. A decisão transforma o que era até então um projeto de mineração privada num assunto de Estado, com implicações que vão muito além das fronteiras de Telemark, a região onde o depósito está localizado.</p>
<p>A jazida de Fen passou de 8,8 milhões de toneladas de óxidos de terras raras estimadas em 2024 para 15,9 milhões de toneladas em 2026, um salto de 81%, tornando-se oficialmente o maior depósito conhecido do continente europeu. O número, por si só, já seria suficiente para atrair atenção. O que tornou a movimentação de Oslo ainda mais reveladora foi o tom do primeiro-ministro Jonas Gahr Stoere ao justificá-la.</p>
<p>&#8220;O campo de Fen pode ser de grande importância para Telemark, para a Noruega e para a segurança do abastecimento e competitividade da Europa&#8221;, disse Stoere. &#8220;Para garantir o acesso futuro a minerais críticos, é importante aumentar a produção tanto na Noruega quanto em outros países com os quais cooperamos em termos de segurança.&#8221; A menção explícita à segurança, e não apenas à economia, não foi casual.</p>
<p>O pano de fundo é bem conhecido. A China domina a produção global de terras raras, respondendo por 95% da oferta mundial. Em abril de 2025, Pequim restringiu as exportações desses minerais em retaliação às tarifas americanas, e o efeito colateral na Europa foi imediato: linhas de montagem de veículos elétricos paralisadas, estoques no limite e um alerta que os governos europeus não puderam ignorar. Fen surge, nesse contexto, como parte da resposta estrutural que o continente tenta construir.</p>
<p>Cerca de 19% dos óxidos presentes no depósito são de neodímio e praseodímio, materiais essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônica e aplicações de defesa. São exatamente os elementos que a China sabe que a Europa mais precisa.</p>
<p>A intervenção do Estado norueguês tem uma lógica política clara. O governo agiu a pedido das autoridades locais, citando o risco de conflitos sobre o uso da terra e a necessidade de equilibrar interesses nacionais concorrentes. Como aconteceu com parques eólicos terrestres na Noruega e com a expansão da mina de ferro em Kiruna, na Suécia vizinha, projetos de infraestrutura crítica no norte da Europa têm esbarrado sistematicamente em resistências ambientais e agrícolas que podem atrasar cronogramas por anos. Ao avocar o planejamento para si, Oslo sinaliza que não quer repetir esse ciclo.</p>
<p>A empresa responsável pelo desenvolvimento, Rare Earths Norway, espera iniciar a produção no final de 2031, com uma saída de 800 toneladas de NdPr até 2032, o equivalente a cerca de 5% da demanda da União Europeia. É uma fatia modesta diante da escala do problema, mas seria a primeira produção doméstica de terras raras em operação no continente. A Europa, por ora, não tem nenhuma mina sequer em funcionamento.</p>
<p>O que o caso de Fen ilustra, ao lado do depósito sueco Per Geijer, é uma mudança de mentalidade nos governos europeus. Mineração crítica deixou de ser uma questão regulatória a ser gerida por ministérios do meio ambiente e passou a ser tratada como política de segurança. A velocidade com que Oslo assumiu o controle do projeto sugere que a paciência com os trâmites habituais acabou.</p>
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		<title>Como a Europa leu a queda de Orbán</title>
		<link>https://europa-brasil.com/como-a-europa-leu-a-queda-de-orban/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 17:53:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Hungria]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nunca antes uma eleição na pequena Hungria atraiu tanta atenção da Europa de forma geral e da imprensa, em particular. Na noite de 12 de abril, com 138 dos 199 assentos do parlamento húngaro projetados para o partido Tisza &#8211; contra apenas 55 para o Fidesz &#8211; e 53,56% dos votos contra 37,86%, o candidato [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Nunca antes uma eleição na pequena Hungria atraiu tanta atenção da Europa de forma geral e da imprensa, em particular.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Na noite de 12 de abril, com 138 dos 199 assentos do parlamento húngaro projetados para o partido Tisza &#8211; contra apenas 55 para o Fidesz &#8211; e 53,56% dos votos contra 37,86%, o candidato derrotado admitia diante dos apoiadores que os resultados eram &#8220;dolorosos, mas inequívocos&#8221; e felicitava &#8220;o partido vencedor&#8221;. A participação recorde de 79,50% do eleitorado, atribuída por analistas à maior mobilização em cidades médias e entre jovens, reforçou a leitura de que o recado das urnas não deixava margem para contestação. Enquanto isso, jornalistas multiplicavam as informações vindas das urnas e projetavam os próximos movimentos dos vencedores.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O tom adotado pelos diferentes órgãos de imprensa variou, evidentemente, de acordo com suas prioridades editoriais e visões do ambiente político, mas todos mostraram que o recado do eleitorado foi absolutamente claro: os húngaros estavam fartos do sistema centralizador de poder implantado ao longo de 16 anos por Orbán, onde não faltaram alterações nos sistemas judiciário e eleitoral, além de acusações de aparelhamento do estado baseado na nomeação de aliados, favorecimento de empresários próximos em licitações do Estado e corrupção. Além de uma economia estagnada que só fez piorar o poder de compra da população e uma predominância, no país, de um incômodo pelo pleno alinhamento de Budapeste a Moscou com consequente distanciamento de Bruxelas.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Britanicamente, o Financial Times apostou num tom narrativo e biográfico. Com distanciamento analítico, o jornal londrino reconstruiu a trajetória de Magyar, que o levou de aliado a algoz de Orbán, evitando adjetivos fortes para descrever vencedor e vencido, evitando ainda mergulhar em episódios de campanha de lado a lado que geraram emoções e debates acalorados ao longo das semanas que antecederam o pleito.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">A escolha foi deixar que as fontes falassem. Uma delas, um estrategista político húngaro, resumiu o apelo de Magyar numa frase que o jornal destacou: &#8220;É uma grande história, o príncipe mais jovem, o filho pródigo do povo, Davi contra Golias. Todo mundo consegue se identificar com isso.&#8221; O tom era o de quem explica um fenômeno político incomum a um leitor que precisa entender como se chegou até aqui, sem dizer ao leitor o que pensar sobre isso.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">The Guardian, cuja linha editorial é claramente progressista, privilegiou as prováveis primeiras movimentações de Peter Magyar após o resultado. Usou o termo &#8220;stunning defeat&#8221; para descrever a derrota de Orbán e destacou nas primeiras horas uma frase do discurso de Magyar segundo a qual os eleitores votaram &#8220;não apenas por uma mudança de governo, mas por uma mudança de regime.&#8221; O Guardian também privilegiou a abordagem de Magyar em relação à União Europeia, comprometendo-se a buscar compromissos nos canais adequados do bloco em vez de &#8220;escrever em outdoors que Bruxelas é malvada.&#8221; A cobertura britânica teve um olhar voltado para o dia seguinte, para o que Magyar prometeu e para o que ainda terá de provar.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O francês Le Monde usou o resultado húngaro como espelho da política interna francesa. A manchete escolhida pelo jornal não tratava da Hungria em si, mas das consequências da derrota de Orbán para a extrema-direita francesa, em particular para Marine Le Pen e seu movimento, o Rassemblement National (RN), principal partido de extrema-direita da França, fundado por Jean-Marie Le Pen e hoje liderado por sua filha &#8211; atualmente a principal candidata de oposição ao governo Macron. O tom era analítico com uma pontada de ironia: o jornal escreveu que &#8220;toda a Europa nacional-populista acorda com ressaca&#8221; e lembrou que Orbán prometera beber &#8220;magnums de champanhe&#8221; se Le Pen vencesse a presidência francesa em 2027, sendo que agora é ele próprio quem sai de cena. Um assessor direto de Le Pen foi citado acusando o golpe: &#8220;Isso nos faz perder um aliado pessoal e um adversário de Ursula von der Leyen.&#8221; Para o Le Monde, a eleição húngara era também um termômetro do populismo europeu, num momento em que Geert Wilders, líder do Partido pela Liberdade (PVV) e figura central da coalizão governante holandesa, perde força diante de crises internas, e em que Matteo Salvini, vice-premier italiano e chefe da Liga, enfrenta desgaste político e processo judicial por sequestro de migrantes.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O El País adotou um tom direto e politicamente carregado. O jornal espanhol chamou Orbán de &#8220;ultraconservador e pró-russo&#8221; e enquadrou o resultado como o fim do &#8220;sócio mais incômodo&#8221; de Bruxelas, descrito como alguém &#8220;mais alinhado com os Estados Unidos, a Rússia e a China do que com seus aliados europeus.&#8221; Usou a expressão &#8220;era Orbán&#8221; já no título, sinalizando que via o resultado não como uma alternância comum de poder, mas como o encerramento de um ciclo histórico. O jornal escreveu sobre a eleição sem distância irônica e sem linguagem acadêmica.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O Corriere della Sera combinou jornalismo de terreno com análise de longo prazo. Na cobertura factual, o jornal milanês descreveu Orbán como &#8220;ícone de uma linha política ultraconservadora, anti-UE e pró-russa&#8221; e destacou a supermaioria conquistada pelo Tisza como o instrumento que permitirá a Magyar &#8220;modificar a Constituição sem o apoio de outras formações.&#8221; O jornal também publicou uma análise de tom mais especulativo, usando a derrota do principal aliado de Putin dentro da UE como ponto de entrada para examinar sinais de fragilidade no sistema russo, com referências a lutas internas no vértice do Estado e impopularidade crescente de Putin junto à opinião pública.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O Público, de Lisboa, cobriu o resultado com um tom emocional. A abertura falava em &#8220;suspiro de alívio coletivo&#8221; percorrendo a Europa. O jornal português registrou também dois silêncios que tratou como dado jornalístico relevante: os aliados de Orbán não se manifestaram, e a Casa Branca não reagiu. A vitória de Magyar foi enquadrada como um retorno da Hungria ao eixo europeu, após anos em que Budapeste esteve, nas palavras do jornal, &#8220;muito mais alinhada com a Rússia do que com os valores e o modelo económico europeus.&#8221;</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">A Deutsche Welle adotou um tom pragmático e institucional. O foco estava nas consequências concretas para as relações entre Budapeste e Bruxelas. O veículo alemão listou as promessas de Magyar sobre adesão à Procuradoria Europeia, restauração do Estado de direito e desbloqueio de fundos europeus congelados, equilibrando cada uma com a ressalva de diplomatas e analistas de que resultados concretos terão de vir antes de qualquer liberação de recursos.</p>
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		<title>Hungria vota neste domingo para decidir se Orbán fica por mais quatro anos</title>
		<link>https://europa-brasil.com/hungria-vota-neste-domingo-para-decidir-se-orban-fica-por-mais-quatro-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:48:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A eleição parlamentar húngara de 12 de abril é a mais importante do país desde a queda do comunismo em 1989. Pela primeira vez em 16 anos, Viktor Orbán pode perder. As pesquisas dizem isso com clareza, mas as regras do jogo foram escritas por ele. Orbán é o líder em exercício há mais tempo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A eleição parlamentar húngara de 12 de abril é a mais importante do país desde a queda do comunismo em 1989. Pela primeira vez em 16 anos, Viktor Orbán pode perder. As pesquisas dizem isso com clareza, mas as regras do jogo foram escritas por ele.</p>
<p>Orbán é o líder em exercício há mais tempo em toda a União Europeia. Governa desde 2010 e busca agora um quinto mandato consecutivo com o Fidesz. O desafiante é Péter Magyar, de 45 anos, ex-integrante do próprio partido. Magyar rompeu com o Fidesz em 2024, depois de um escândalo envolvendo o perdão presidencial a um cúmplice em caso de abuso sexual num lar estatal para crianças. Fundou o partido Tisza e conseguiu quase 30% dos votos nas eleições europeias de 2024, o melhor resultado de qualquer partido que não o Fidesz desde 2006.</p>
<p>Uma pesquisa do Instituto 21, publicada no início de abril, coloca o Tisza em 56% entre os eleitores que já decidiram o voto, contra 37% do Fidesz, uma diferença de 19 pontos percentuais. O agregador PolitPro situa essa vantagem em torno de 8 pontos. Em nenhum momento desde 2010 a oposição esteve tão perto.</p>
<p>A economia ajuda a explicar esse movimento. Depois de contrair 0,8% em 2023, a Hungria cresceu apenas uma média de 0,5% em 2024 e 2025, abaixo da média da UE. O déficit orçamentário, projetado em 5% para este ano, supera o limite de 3% exigido pelo bloco. Pela quarta vez consecutiva, a Transparency International classifica a Hungria como o estado mais corrupto da União Europeia. Orbán tentou reagir distribuindo benefícios e cortes de impostos às vésperas do pleito, mas gastou o equivalente a 2% do PIB nesses repasses sem recuperar a popularidade de antes.</p>
<p>O problema mais sério para Magyar, porém, não é convencer os eleitores. É o sistema eleitoral. Em dezembro de 2024, o parlamento controlado pelo Fidesz redesenhou os distritos eleitorais, cortando de 18 para 16 as circunscrições de Budapeste e adicionando dois novos distritos no Condado de Pest, área mais favorável ao governo. Como resultado dessas mudanças, o Tisza precisa superar o Fidesz em pelo menos 3 a 5 pontos percentuais no voto nacional para conquistar maioria no parlamento. O sistema também permite o chamado &#8220;turismo eleitoral&#8221;, que deixa eleitores se registrarem para votar fora de sua residência, prática que historicamente beneficia o Fidesz com votos da diáspora húngara.</p>
<p>A campanha foi marcada por uma polarização intensa e por interferências externas pouco disfarçadas. Trump e Netanyahu gravaram vídeos de apoio a Orbán. O vice-presidente americano JD Vance foi pessoalmente a Budapeste na véspera da eleição. Do lado oposto, Macron e os líderes da UE acompanham o processo em silêncio, sem querer dar a Orbán o pretexto de acusar Bruxelas de interferência. A campanha foi marcada também por acusações de que uma operação ligada ao Kremlin tentou inundar as redes sociais húngaras com mensagens para aumentar a popularidade do governo.</p>
<p>Para a Europa, o resultado de domingo vai além das fronteiras da Hungria. Budapeste tem bloqueado o apoio à Ucrânia dentro da UE, se oposto à adesão ucraniana ao bloco e travado um empréstimo de 90 bilhões de euros a Kiev. Uma vitória de Magyar removeria o principal aliado de Moscou dentro do bloco e desbloquearia uma agenda paralisada há anos.</p>
<p>Mas ganhar a eleição seria só o começo. Orbán abandonará uma rede de aliados instalados em posições-chave por todo o aparato estatal. O caminho da Polônia depois de 2023 serve de aviso: Donald Tusk chegou ao poder com mandato reformista e se viu travado por instituições que o antecessor havia capturado durante anos. Magyar, sem maioria de dois terços, dificilmente conseguirá alterar a Constituição, que Orbán reformou ao menos 16 vezes durante seu governo.</p>
<p>O que está em jogo no domingo é uma pergunta que a Europa ainda não sabe responder: é possível derrubar um sistema que foi construído especialmente para não ser derrubado?</p>
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