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	<title>Arquivo de Cenário - Europa | Brasil</title>
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	<lastBuildDate>Thu, 07 May 2026 15:12:34 +0000</lastBuildDate>
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		<title>UE lança primeira estratégia antipobreza, mas aposta em recomendações onde faltam leis</title>
		<link>https://europa-brasil.com/ue-lanca-primeira-estrategia-antipobreza-mas-aposta-em-recomendacoes-onde-faltam-leis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou na quarta-feira sua primeira estratégia abrangente de combate à pobreza, um pacote social que chega com ambição retórica considerável, mas que, na prática, repousa sobre recomendações não vinculativas e promessas de financiamento já comprometido em outros programas. A vice-presidente executiva Roxana Mînzatu, responsável pelos direitos sociais e competências, fixou um horizonte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Europeia apresentou na quarta-feira sua primeira estratégia abrangente de combate à pobreza, um pacote social que chega com ambição retórica considerável, mas que, na prática, repousa sobre recomendações não vinculativas e promessas de financiamento já comprometido em outros programas.</p>
<p>A vice-presidente executiva Roxana Mînzatu, responsável pelos direitos sociais e competências, fixou um horizonte de 25 anos para erradicar a pobreza na União Europeia, meta que a própria presidente Ursula von der Leyen havia anunciado em seu discurso sobre o Estado da União em setembro do ano passado. O problema é que os números do presente tornam o objetivo ainda mais íngreme do que parece à primeira vista.</p>
<p>Segundo dados do Eurostat divulgados nesta semana, 92,7 milhões de pessoas, ou 20,9% da população da UE, vivem atualmente em risco de pobreza ou exclusão social. Mulheres são mais afetadas do que homens (21,9% contra 19,8%), e mais de um quinto das famílias com filhos dependentes também se enquadra nessa categoria.</p>
<p>O contexto torna a distância entre discurso e realidade difícil de ignorar. Em entrevista à Euronews, Mînzatu admitiu abertamente que a UE havia se comprometido, em 2021, a retirar pelo menos 15 milhões de pessoas da pobreza até 2030, e que, até agora, &#8220;apenas cerca de 3,7 milhões de europeus&#8221; foram ajudados.</p>
<p>O pacote inclui a estratégia antipobreza em si, uma proposta de recomendação do Conselho sobre exclusão habitacional e duas comunicações: uma sobre pobreza infantil, outra sobre direitos das pessoas com deficiência. Com 52% dos europeus apontando o custo de vida como sua principal preocupação, e 40% vendo a falta de moradia acessível como problema urgente, a pressão política sobre Bruxelas para agir é real.</p>
<p>Mas agir como, exatamente? A Comissão argumenta que a UE já destina recursos significativos ao problema: €50,2 bilhões do Fundo Social Europeu Plus para inclusão social e privação material, além de €100 bilhões para políticas sociais previstos no próximo orçamento plurianual 2028-2034. O que não existe é uma linha orçamentária dedicada exclusivamente à nova estratégia, o que, para críticos, esvazia parte do simbolismo do lançamento.</p>
<p>A Caritas Europa, uma das maiores redes de organizações sociais do continente, saudou o plano, mas não poupou críticas. A ausência de propostas legislativas concretas, alertou a organização, corre o risco de deixar os objetivos mais ambiciosos da estratégia sem os instrumentos necessários para realizá-los. A rede também apontou uma lacuna específica: o plano não protege os chamados cidadãos &#8220;móveis&#8221;, trabalhadores migrantes intracomunitários que acabam excluídos de proteções sociais tanto no país de origem quanto no de residência.</p>
<h2>Prioridades concretas, instrumentos difusos</h2>
<p>Entre as iniciativas mais tangíveis do pacote está o chamado &#8220;cartão de garantia da criança&#8221;, uma ferramenta digital para que governos identifiquem crianças em situação precária e as conectem a serviços gratuitos de saúde, educação e apoio social. O grupo etário de 16 a 29 anos também aparece como foco de atenção: em 2025, 24% dos jovens europeus estavam em risco de pobreza ou exclusão social, número associado ao desemprego juvenil, à evasão escolar e à proliferação de contratos precários e estágios não remunerados.</p>
<p>No campo habitacional, a Comissão recomenda que todos os países membros adotem estratégias nacionais de combate à situação de rua, com ênfase em sistemas de alerta precoce e aconselhamento em dívidas para evitar despejos. A estratégia integra o Plano Europeu de Habitação Acessível, lançado em dezembro passado, que reconheceu pela primeira vez a dimensão estrutural da crise habitacional no continente.</p>
<p>Para pessoas com deficiência, cerca de 90 milhões na UE, os dados são ainda mais sombrios: apenas 55% estão empregadas, contra 77% da população sem deficiência, e uma em cada três vive em risco de pobreza, quase o dobro da média europeia.</p>
<p>A questão de fundo que a estratégia não resolve é estrutural: a política social na UE continua sendo, em larga medida, competência dos Estados-membros. Bruxelas pode recomendar, coordenar e financiar, mas não pode impor. A própria Comissão reconhece que, mesmo estando ainda distante das metas estabelecidas, definir objetivos é preferível à omissão. É um argumento defensável, mas que soa mais como consolo do que como plano de ação.</p>
<p>Mînzatu anunciou ainda a criação de uma Coalizão contra a Pobreza até o final do ano e a abertura de um diálogo estruturado com pessoas em situação de pobreza, para que as políticas que as afetam sejam desenhadas também com sua participação. São gestos importantes. Mas, para quase 93 milhões de europeus que hoje vivem à margem, a distância entre o compromisso político e a mudança concreta continua sendo a questão central, ainda sem resposta clara.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Noruega toma as rédeas do maior depósito de terras raras da Europa</title>
		<link>https://europa-brasil.com/noruega-toma-as-redeas-do-maior-deposito-de-terras-raras-da-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 21:42:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo norueguês anunciou que assumirá diretamente o planejamento do depósito de Fen, no sul do país, depois que uma revisão das estimativas de recursos quase dobrou o tamanho da jazida. A decisão transforma o que era até então um projeto de mineração privada num assunto de Estado, com implicações que vão muito além das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo norueguês anunciou que assumirá diretamente o planejamento do depósito de Fen, no sul do país, depois que uma revisão das estimativas de recursos quase dobrou o tamanho da jazida. A decisão transforma o que era até então um projeto de mineração privada num assunto de Estado, com implicações que vão muito além das fronteiras de Telemark, a região onde o depósito está localizado.</p>
<p>A jazida de Fen passou de 8,8 milhões de toneladas de óxidos de terras raras estimadas em 2024 para 15,9 milhões de toneladas em 2026, um salto de 81%, tornando-se oficialmente o maior depósito conhecido do continente europeu. O número, por si só, já seria suficiente para atrair atenção. O que tornou a movimentação de Oslo ainda mais reveladora foi o tom do primeiro-ministro Jonas Gahr Stoere ao justificá-la.</p>
<p>&#8220;O campo de Fen pode ser de grande importância para Telemark, para a Noruega e para a segurança do abastecimento e competitividade da Europa&#8221;, disse Stoere. &#8220;Para garantir o acesso futuro a minerais críticos, é importante aumentar a produção tanto na Noruega quanto em outros países com os quais cooperamos em termos de segurança.&#8221; A menção explícita à segurança, e não apenas à economia, não foi casual.</p>
<p>O pano de fundo é bem conhecido. A China domina a produção global de terras raras, respondendo por 95% da oferta mundial. Em abril de 2025, Pequim restringiu as exportações desses minerais em retaliação às tarifas americanas, e o efeito colateral na Europa foi imediato: linhas de montagem de veículos elétricos paralisadas, estoques no limite e um alerta que os governos europeus não puderam ignorar. Fen surge, nesse contexto, como parte da resposta estrutural que o continente tenta construir.</p>
<p>Cerca de 19% dos óxidos presentes no depósito são de neodímio e praseodímio, materiais essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônica e aplicações de defesa. São exatamente os elementos que a China sabe que a Europa mais precisa.</p>
<p>A intervenção do Estado norueguês tem uma lógica política clara. O governo agiu a pedido das autoridades locais, citando o risco de conflitos sobre o uso da terra e a necessidade de equilibrar interesses nacionais concorrentes. Como aconteceu com parques eólicos terrestres na Noruega e com a expansão da mina de ferro em Kiruna, na Suécia vizinha, projetos de infraestrutura crítica no norte da Europa têm esbarrado sistematicamente em resistências ambientais e agrícolas que podem atrasar cronogramas por anos. Ao avocar o planejamento para si, Oslo sinaliza que não quer repetir esse ciclo.</p>
<p>A empresa responsável pelo desenvolvimento, Rare Earths Norway, espera iniciar a produção no final de 2031, com uma saída de 800 toneladas de NdPr até 2032, o equivalente a cerca de 5% da demanda da União Europeia. É uma fatia modesta diante da escala do problema, mas seria a primeira produção doméstica de terras raras em operação no continente. A Europa, por ora, não tem nenhuma mina sequer em funcionamento.</p>
<p>O que o caso de Fen ilustra, ao lado do depósito sueco Per Geijer, é uma mudança de mentalidade nos governos europeus. Mineração crítica deixou de ser uma questão regulatória a ser gerida por ministérios do meio ambiente e passou a ser tratada como política de segurança. A velocidade com que Oslo assumiu o controle do projeto sugere que a paciência com os trâmites habituais acabou.</p>
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		<title>Como a Europa leu a queda de Orbán</title>
		<link>https://europa-brasil.com/como-a-europa-leu-a-queda-de-orban/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 17:53:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Hungria]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nunca antes uma eleição na pequena Hungria atraiu tanta atenção da Europa de forma geral e da imprensa, em particular. Na noite de 12 de abril, com 138 dos 199 assentos do parlamento húngaro projetados para o partido Tisza &#8211; contra apenas 55 para o Fidesz &#8211; e 53,56% dos votos contra 37,86%, o candidato [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Nunca antes uma eleição na pequena Hungria atraiu tanta atenção da Europa de forma geral e da imprensa, em particular.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Na noite de 12 de abril, com 138 dos 199 assentos do parlamento húngaro projetados para o partido Tisza &#8211; contra apenas 55 para o Fidesz &#8211; e 53,56% dos votos contra 37,86%, o candidato derrotado admitia diante dos apoiadores que os resultados eram &#8220;dolorosos, mas inequívocos&#8221; e felicitava &#8220;o partido vencedor&#8221;. A participação recorde de 79,50% do eleitorado, atribuída por analistas à maior mobilização em cidades médias e entre jovens, reforçou a leitura de que o recado das urnas não deixava margem para contestação. Enquanto isso, jornalistas multiplicavam as informações vindas das urnas e projetavam os próximos movimentos dos vencedores.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O tom adotado pelos diferentes órgãos de imprensa variou, evidentemente, de acordo com suas prioridades editoriais e visões do ambiente político, mas todos mostraram que o recado do eleitorado foi absolutamente claro: os húngaros estavam fartos do sistema centralizador de poder implantado ao longo de 16 anos por Orbán, onde não faltaram alterações nos sistemas judiciário e eleitoral, além de acusações de aparelhamento do estado baseado na nomeação de aliados, favorecimento de empresários próximos em licitações do Estado e corrupção. Além de uma economia estagnada que só fez piorar o poder de compra da população e uma predominância, no país, de um incômodo pelo pleno alinhamento de Budapeste a Moscou com consequente distanciamento de Bruxelas.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">Britanicamente, o Financial Times apostou num tom narrativo e biográfico. Com distanciamento analítico, o jornal londrino reconstruiu a trajetória de Magyar, que o levou de aliado a algoz de Orbán, evitando adjetivos fortes para descrever vencedor e vencido, evitando ainda mergulhar em episódios de campanha de lado a lado que geraram emoções e debates acalorados ao longo das semanas que antecederam o pleito.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">A escolha foi deixar que as fontes falassem. Uma delas, um estrategista político húngaro, resumiu o apelo de Magyar numa frase que o jornal destacou: &#8220;É uma grande história, o príncipe mais jovem, o filho pródigo do povo, Davi contra Golias. Todo mundo consegue se identificar com isso.&#8221; O tom era o de quem explica um fenômeno político incomum a um leitor que precisa entender como se chegou até aqui, sem dizer ao leitor o que pensar sobre isso.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">The Guardian, cuja linha editorial é claramente progressista, privilegiou as prováveis primeiras movimentações de Peter Magyar após o resultado. Usou o termo &#8220;stunning defeat&#8221; para descrever a derrota de Orbán e destacou nas primeiras horas uma frase do discurso de Magyar segundo a qual os eleitores votaram &#8220;não apenas por uma mudança de governo, mas por uma mudança de regime.&#8221; O Guardian também privilegiou a abordagem de Magyar em relação à União Europeia, comprometendo-se a buscar compromissos nos canais adequados do bloco em vez de &#8220;escrever em outdoors que Bruxelas é malvada.&#8221; A cobertura britânica teve um olhar voltado para o dia seguinte, para o que Magyar prometeu e para o que ainda terá de provar.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O francês Le Monde usou o resultado húngaro como espelho da política interna francesa. A manchete escolhida pelo jornal não tratava da Hungria em si, mas das consequências da derrota de Orbán para a extrema-direita francesa, em particular para Marine Le Pen e seu movimento, o Rassemblement National (RN), principal partido de extrema-direita da França, fundado por Jean-Marie Le Pen e hoje liderado por sua filha &#8211; atualmente a principal candidata de oposição ao governo Macron. O tom era analítico com uma pontada de ironia: o jornal escreveu que &#8220;toda a Europa nacional-populista acorda com ressaca&#8221; e lembrou que Orbán prometera beber &#8220;magnums de champanhe&#8221; se Le Pen vencesse a presidência francesa em 2027, sendo que agora é ele próprio quem sai de cena. Um assessor direto de Le Pen foi citado acusando o golpe: &#8220;Isso nos faz perder um aliado pessoal e um adversário de Ursula von der Leyen.&#8221; Para o Le Monde, a eleição húngara era também um termômetro do populismo europeu, num momento em que Geert Wilders, líder do Partido pela Liberdade (PVV) e figura central da coalizão governante holandesa, perde força diante de crises internas, e em que Matteo Salvini, vice-premier italiano e chefe da Liga, enfrenta desgaste político e processo judicial por sequestro de migrantes.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O El País adotou um tom direto e politicamente carregado. O jornal espanhol chamou Orbán de &#8220;ultraconservador e pró-russo&#8221; e enquadrou o resultado como o fim do &#8220;sócio mais incômodo&#8221; de Bruxelas, descrito como alguém &#8220;mais alinhado com os Estados Unidos, a Rússia e a China do que com seus aliados europeus.&#8221; Usou a expressão &#8220;era Orbán&#8221; já no título, sinalizando que via o resultado não como uma alternância comum de poder, mas como o encerramento de um ciclo histórico. O jornal escreveu sobre a eleição sem distância irônica e sem linguagem acadêmica.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O Corriere della Sera combinou jornalismo de terreno com análise de longo prazo. Na cobertura factual, o jornal milanês descreveu Orbán como &#8220;ícone de uma linha política ultraconservadora, anti-UE e pró-russa&#8221; e destacou a supermaioria conquistada pelo Tisza como o instrumento que permitirá a Magyar &#8220;modificar a Constituição sem o apoio de outras formações.&#8221; O jornal também publicou uma análise de tom mais especulativo, usando a derrota do principal aliado de Putin dentro da UE como ponto de entrada para examinar sinais de fragilidade no sistema russo, com referências a lutas internas no vértice do Estado e impopularidade crescente de Putin junto à opinião pública.</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">O Público, de Lisboa, cobriu o resultado com um tom emocional. A abertura falava em &#8220;suspiro de alívio coletivo&#8221; percorrendo a Europa. O jornal português registrou também dois silêncios que tratou como dado jornalístico relevante: os aliados de Orbán não se manifestaram, e a Casa Branca não reagiu. A vitória de Magyar foi enquadrada como um retorno da Hungria ao eixo europeu, após anos em que Budapeste esteve, nas palavras do jornal, &#8220;muito mais alinhada com a Rússia do que com os valores e o modelo económico europeus.&#8221;</p>
<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]">A Deutsche Welle adotou um tom pragmático e institucional. O foco estava nas consequências concretas para as relações entre Budapeste e Bruxelas. O veículo alemão listou as promessas de Magyar sobre adesão à Procuradoria Europeia, restauração do Estado de direito e desbloqueio de fundos europeus congelados, equilibrando cada uma com a ressalva de diplomatas e analistas de que resultados concretos terão de vir antes de qualquer liberação de recursos.</p>
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		<title>Hungria vota neste domingo para decidir se Orbán fica por mais quatro anos</title>
		<link>https://europa-brasil.com/hungria-vota-neste-domingo-para-decidir-se-orban-fica-por-mais-quatro-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:48:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A eleição parlamentar húngara de 12 de abril é a mais importante do país desde a queda do comunismo em 1989. Pela primeira vez em 16 anos, Viktor Orbán pode perder. As pesquisas dizem isso com clareza, mas as regras do jogo foram escritas por ele. Orbán é o líder em exercício há mais tempo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A eleição parlamentar húngara de 12 de abril é a mais importante do país desde a queda do comunismo em 1989. Pela primeira vez em 16 anos, Viktor Orbán pode perder. As pesquisas dizem isso com clareza, mas as regras do jogo foram escritas por ele.</p>
<p>Orbán é o líder em exercício há mais tempo em toda a União Europeia. Governa desde 2010 e busca agora um quinto mandato consecutivo com o Fidesz. O desafiante é Péter Magyar, de 45 anos, ex-integrante do próprio partido. Magyar rompeu com o Fidesz em 2024, depois de um escândalo envolvendo o perdão presidencial a um cúmplice em caso de abuso sexual num lar estatal para crianças. Fundou o partido Tisza e conseguiu quase 30% dos votos nas eleições europeias de 2024, o melhor resultado de qualquer partido que não o Fidesz desde 2006.</p>
<p>Uma pesquisa do Instituto 21, publicada no início de abril, coloca o Tisza em 56% entre os eleitores que já decidiram o voto, contra 37% do Fidesz, uma diferença de 19 pontos percentuais. O agregador PolitPro situa essa vantagem em torno de 8 pontos. Em nenhum momento desde 2010 a oposição esteve tão perto.</p>
<p>A economia ajuda a explicar esse movimento. Depois de contrair 0,8% em 2023, a Hungria cresceu apenas uma média de 0,5% em 2024 e 2025, abaixo da média da UE. O déficit orçamentário, projetado em 5% para este ano, supera o limite de 3% exigido pelo bloco. Pela quarta vez consecutiva, a Transparency International classifica a Hungria como o estado mais corrupto da União Europeia. Orbán tentou reagir distribuindo benefícios e cortes de impostos às vésperas do pleito, mas gastou o equivalente a 2% do PIB nesses repasses sem recuperar a popularidade de antes.</p>
<p>O problema mais sério para Magyar, porém, não é convencer os eleitores. É o sistema eleitoral. Em dezembro de 2024, o parlamento controlado pelo Fidesz redesenhou os distritos eleitorais, cortando de 18 para 16 as circunscrições de Budapeste e adicionando dois novos distritos no Condado de Pest, área mais favorável ao governo. Como resultado dessas mudanças, o Tisza precisa superar o Fidesz em pelo menos 3 a 5 pontos percentuais no voto nacional para conquistar maioria no parlamento. O sistema também permite o chamado &#8220;turismo eleitoral&#8221;, que deixa eleitores se registrarem para votar fora de sua residência, prática que historicamente beneficia o Fidesz com votos da diáspora húngara.</p>
<p>A campanha foi marcada por uma polarização intensa e por interferências externas pouco disfarçadas. Trump e Netanyahu gravaram vídeos de apoio a Orbán. O vice-presidente americano JD Vance foi pessoalmente a Budapeste na véspera da eleição. Do lado oposto, Macron e os líderes da UE acompanham o processo em silêncio, sem querer dar a Orbán o pretexto de acusar Bruxelas de interferência. A campanha foi marcada também por acusações de que uma operação ligada ao Kremlin tentou inundar as redes sociais húngaras com mensagens para aumentar a popularidade do governo.</p>
<p>Para a Europa, o resultado de domingo vai além das fronteiras da Hungria. Budapeste tem bloqueado o apoio à Ucrânia dentro da UE, se oposto à adesão ucraniana ao bloco e travado um empréstimo de 90 bilhões de euros a Kiev. Uma vitória de Magyar removeria o principal aliado de Moscou dentro do bloco e desbloquearia uma agenda paralisada há anos.</p>
<p>Mas ganhar a eleição seria só o começo. Orbán abandonará uma rede de aliados instalados em posições-chave por todo o aparato estatal. O caminho da Polônia depois de 2023 serve de aviso: Donald Tusk chegou ao poder com mandato reformista e se viu travado por instituições que o antecessor havia capturado durante anos. Magyar, sem maioria de dois terços, dificilmente conseguirá alterar a Constituição, que Orbán reformou ao menos 16 vezes durante seu governo.</p>
<p>O que está em jogo no domingo é uma pergunta que a Europa ainda não sabe responder: é possível derrubar um sistema que foi construído especialmente para não ser derrubado?</p>
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		<title>Primavera no continente começa com foco em economia, guerras e eleição</title>
		<link>https://europa-brasil.com/primavera-no-continente-comeca-com-foco-em-economia-guerras-e-eleicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 20:03:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mês de abril começa com uma Europa atenta a várias frentes e situações sensíveis. Além da guerra da Ucrânia que já completou quatro anos e parece longe do fim, os primeiros efeitos econômicos da guerra no Irã já começam a ser sentidos: a inflação em doze meses na zona euro subiu de 1,9% em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mês de abril começa com uma Europa atenta a várias frentes e situações sensíveis.</p>
<p>Além da guerra da Ucrânia que já completou quatro anos e parece longe do fim, os primeiros efeitos econômicos da guerra no Irã já começam a ser sentidos: a inflação em doze meses na zona euro subiu de 1,9% em fevereiro para 2,5% em março segundo estimativa do Eurostat, órgão oficial de dados e estatísticas do bloco.</p>
<p>Depois de mais de 25 anos de negociações que avançaram e recuaram em diferentes momentos, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi assinado em dezembro do ano passado. Ele entra em vigor no dia 1º. de maio, iniciando assim um processo gradual de redução de tarifas entre os dois lados do Atlântico.</p>
<p>Para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai esta é uma oportunidade para ampliar as vendas para o continente europeu e usufruir de importações a um custo menor. Para o bloco europeu significa um passo a mais na estratégia de ampliar parcerias mundo afora, esforço que já resultou em mais dois acordos comerciais este ano, com Índia e Austrália.</p>
<p>Em paralelo a UE se preocupa em ampliar a competitividade de sua economia, guiada pelo que ficou conhecido como Relatório Draghi. O documento foi elaborado pelo ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, que propôs uma série de medidas práticas para cumprir aquele objetivo com a máxima agilidade.</p>
<p>A atenção do continente também se volta para as eleições na Hungria, no próximo dia 12 de abril, que vão indicar se continuará no comando do país Viktor Órban, há 16 anos no cargo, ou se ele dará lugar ao ex-aliado e agora desafeto Péter Magyar, do partido Tisza.</p>
<p>A maioria das pesquisas independentes apontam que no eleitorado até 30 anos há uma preferência clara pelo voto em Magyar: é como se posicionam 60% dos entrevistados nessa faixa etária. A questão que se coloca é se os jovens húngaros se mobilizarão para comparecer em massa às urnas, neutralizando assim o sempre forte comparecimento nos locais de votação da população mais velha, fiel eleitora de Órban e seu partido Fidesz.</p>
<p>Quer aprofundar esses temas? Assista à análise completa no <strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kffJAqFXT4o">Europa Brasil TV</a>.</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/kffJAqFXT4o?si=dKwmF998T7GXAm6F" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Sugestões: &#8220;Guerra no Oriente Médio ameaça combinar inflação alta com crescimento fraco na Europa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 18:16:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conflito no Oriente Médio impõe à União Europeia o risco mais concreto de crescimento fraco combinado com inflação alta desde a crise energética de 2022. O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, apresentou aos ministros das Finanças do bloco um cenário sombrio, segundo a Bloomberg: numa guerra curta, o crescimento da UE poderia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O conflito no Oriente Médio impõe à União Europeia o risco mais concreto de crescimento fraco combinado com inflação alta desde a crise energética de 2022. O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, apresentou aos ministros das Finanças do bloco um cenário sombrio, segundo a Bloomberg: numa guerra curta, o crescimento da UE poderia recuar 0,4 ponto percentual em 2026. Caso o conflito se prolongue, o impacto sobe para 0,6 ponto percentual tanto em 2026 quanto em 2027, em comparação com as projeções de outono.</p>
<p>A advertência não é retórica. A Comissão Europeia havia projetado, em novembro, crescimento de 1,4% para a UE em 2026 e de 1,5% em 2027. Dombrovskis acrescentou que, em seu cenário mais adverso, a inflação poderia superar em até 1 ponto percentual as estimativas anteriores, que previam alta de preços de 2,1% para o bloco no ano.</p>
<p>O mecanismo de transmissão é conhecido: ataques iranianos a países do Golfo aliados ao bloqueio do Estreito de Ormuz perturbaram os mercados globais de energia, elevando o petróleo acima de US$ 100 por barril. Para a Europa, altamente dependente de gás importado, a equação é particularmente desfavorável. As projeções do BCE de março indicam que o petróleo e o gás devem atingir o pico de aproximadamente US$ 90 por barril e €50 por MWh no segundo trimestre de 2026, antes de recuar nos trimestres seguintes, mas apenas no cenário-base, o mais otimista.</p>
<p><strong>BCE na corda bamba</strong></p>
<p>Em 19 de março, o BCE optou por manter suas três taxas de juros inalteradas e revisou a projeção de crescimento da zona do euro para 0,9% em 2026, contra 1,3% e 1,4% nos dois anos seguintes. A inflação headline foi recalibrada para 2,6% em 2026, ante os menos de 2% projetados em dezembro. A revisão reflete, sobretudo, a pressão dos preços de energia sobre toda a cadeia produtiva.</p>
<p>O dilema para Christine Lagarde é evidente. Mais de um terço dos economistas ouvidos em pesquisa da Reuters passou a precificar pelo menos um aumento de juros do BCE em 2026, embora a maioria ainda espere manutenção das taxas. Os mercados chegam a apostar em cerca de 72 pontos-base de alta ao longo do ano, segundo dados da LSEG. Apertar a política monetária num momento de desaceleração econômica seria, por definição, piorar ainda mais o quadro. Não agir, porém, pode deixar as expectativas de inflação se desancorar.</p>
<p>Antes do conflito no Irã eclodir em fins de fevereiro, o Banco da Inglaterra era esperado para cortar sua taxa de referência na reunião de março. O choque nos preços de energia inverteu os planos: o Comitê de Política Monetária votou unanimemente pela manutenção da taxa em 3,75%, com o banco central alertando que a inflação britânica deve ficar entre 3% e 3,5% nos próximos trimestres.</p>
<p><strong>As respostas em debate</strong></p>
<p>Dombrovskis sinalizou que a Comissão Europeia está considerando exigir alíquotas menores sobre a tributação da eletricidade, para garantir que ela seja menos onerada do que os combustíveis fósseis. A liberação de reservas estratégicas de petróleo é outra opção em avaliação, com o objetivo de conter a pressão sobre os preços e afastar o risco de estagflação. O tema entrará na agenda do encontro conjunto de ministros de Finanças e Energia do G7 no dia 30 de março.</p>
<p>O problema estrutural vai além do choque imediato. Dombrovskis destacou que tanto o bloqueio do Estreito de Ormuz quanto os ataques iranianos à infraestrutura de produção de petróleo e gás nos países vizinhos podem ter impacto negativo significativo e duradouro nos preços globais de energia. Nesse cenário, o BCE alertou que qualquer resposta fiscal ao choque energético deve ser temporária, direcionada e calibrada, reforçando a urgência de reduzir a dependência europeia dos combustíveis fósseis.</p>
<p>A ironia geopolítica não escapou a Dombrovskis: preços mais altos de petróleo e gás ampliam as receitas do orçamento russo, num momento em que os EUA discutem aliviar sanções contra Moscou, decisão que o comissário classificou publicamente como um erro grave. A Europa enfrenta, portanto, não apenas um choque econômico, mas um ambiente onde os vetores geopolíticos apontam em direções opostas às suas metas de estabilidade.</p>
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		<title>Extrema direita francesa avança nas municipais e pressiona alianças antes de 2027</title>
		<link>https://europa-brasil.com/extrema-direita-francesa-avanca-nas-municipais-e-pressiona-aliancas-antes-de-2027/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 20:21:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema direita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A França realizou neste domingo (15) o primeiro turno de suas eleições municipais, e os resultados reforçam uma tendência que vem moldando a política europeia há uma década: a ascensão da extrema direita do plano nacional para o local, o terreno onde, historicamente, ela sempre encontrou mais resistência. O Rassemblement National (RN), partido fundado em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A França realizou neste domingo (15) o primeiro turno de suas eleições municipais, e os resultados reforçam uma tendência que vem moldando a política europeia há uma década: a ascensão da extrema direita do plano nacional para o local, o terreno onde, historicamente, ela sempre encontrou mais resistência.</p>
<p>O Rassemblement National (RN), partido fundado em 1972 sob o nome de Front National e rebatizado em 2018, é hoje a maior força da Assembleia Nacional francesa. De viés anti-imigração e eurocético, o partido é liderado por Marine Le Pen e tem em Jordan Bardella seu presidente e principal rosto institucional. Nas presidenciais de 2022, Le Pen chegou ao segundo turno com 41,5% dos votos, sua melhor marca histórica. As pesquisas de intenção de voto para 2027 colocam o RN em posição de, pela primeira vez, vencer uma eleição presidencial francesa.</p>
<p>As municipais deste domingo foram, portanto, mais do que uma disputa por prefeituras. Foram um termômetro.</p>
<h2>Recordes no interior, batalha aberta nas grandes cidades</h2>
<p>Mais de 500 listas ligadas à extrema direita obtiveram ao menos 10% dos votos, limiar necessário para avançar ao segundo turno, número que representa o dobro do registrado nas municipais de 2020 e supera o recorde anterior, de 2014. O RN e grupos aliados terminaram em primeiro lugar em ao menos 75 municípios, contra apenas 11 no primeiro turno de seis anos atrás.</p>
<p>A maior parte desses ganhos, porém, concentra-se em cidades com menos de 10 mil habitantes, onde o partido já vinha construindo presença há anos. A questão que domina as análises políticas é se esse avanço se converterá em vitórias nas grandes cidades no segundo turno, marcado para 22 de março.</p>
<p>A disputa mais simbólica ocorre em Marselha, segunda maior cidade do país, com 870 mil habitantes. O atual prefeito socialista Benoît Payan lidera o primeiro turno com 36,7% dos votos, à frente do candidato do RN, Franck Allisio, com 35%. Dois outros candidatos também avançam ao segundo turno, um de extrema esquerda com 11,9% e um de centro-direita com 12,4%, tornando o resultado imprevisível. A segurança é a principal prioridade dos eleitores, em linha com o discurso de lei e ordem que o RN tem cultivado numa cidade historicamente marcada por violência urbana.</p>
<p>Em Nice, quinta maior cidade da França, Éric Ciotti, líder do partido UDR e aliado do RN, terminou bem à frente do veterano prefeito Christian Estrosi. Em Perpignan, até agora a única cidade francesa com mais de 100 mil habitantes governada pelo RN, o prefeito Louis Aliot foi reeleito já no primeiro turno.</p>
<h2>Abstenção como sinal de alerta</h2>
<p>Os números de participação merecem atenção. A taxa de comparecimento ficou entre 56% e 58,5%, inferior aos 63,55% registrados nas municipais de 2014. François Kraus, do instituto de pesquisas IFOP, classificou o resultado como um mínimo histórico da Quinta República. Analistas da Ipsos BVA alertaram para uma apatia crescente que &#8220;não é boa notícia para a democracia francesa&#8221;. O dado importa porque a abstenção tende a beneficiar partidos com eleitorado mais mobilizado, e o RN tem sistematicamente demonstrado maior capacidade de levar seus simpatizantes às urnas.</p>
<h2>O xadrez das alianças</h2>
<p>O período entre os dois turnos será politicamente intenso. Os partidos têm até terça-feira às 18h para negociar alianças e apresentar listas definitivas às autoridades locais. O RN já sinalizou o tom: Bardella convocou a cooperação com o que chamou de &#8220;listas de direita sinceras&#8221; contra os candidatos de esquerda.</p>
<p>Do outro lado, a fragmentação é o principal obstáculo. A esquerda francesa está dividida entre o Partido Socialista, de perfil moderado, e o La France Insoumise (LFI), de Jean-Luc Mélenchon, plataforma de esquerda radical que rejeita alianças centristas. Em Toulouse, os socialistas anunciaram aliança com o LFI para tentar derrotar o prefeito de centro-direita. Em Paris, a candidata socialista rejeitou oferta similar, o que pode resultar em múltiplas listas de esquerda dividindo os votos no segundo turno.</p>
<p>Essa fragmentação enfraquece o chamado cordon sanitaire, a prática de décadas pela qual partidos de diferentes espectros se aliavam para impedir vitórias do RN. A eficácia desse mecanismo, já desgastada nas eleições legislativas de 2024, está novamente em teste.</p>
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		<title>Guerra no Irã pressiona UE a retomar debate sobre teto do gás</title>
		<link>https://europa-brasil.com/guerra-no-ira-pressiona-ue-a-retomar-debate-sobre-teto-do-gas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 17:59:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A União Europeia estuda medidas para conter os preços da energia, incluindo um possível teto para o preço do gás, instrumento controverso que o bloco já experimentou em 2022 e que voltou à pauta depois que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã sacudiram os mercados globais de energia. Desde o início [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A União Europeia estuda medidas para conter os preços da energia, incluindo um possível teto para o preço do gás, instrumento controverso que o bloco já experimentou em 2022 e que voltou à pauta depois que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã sacudiram os mercados globais de energia.</p>
<p>Desde o início do conflito, os preços do gás subiram 50% e os do petróleo, 27%, o que representa, em apenas dez dias de guerra, um custo adicional superior a 3 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis para os contribuintes europeus. Foi com esse dado que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, abriu seu discurso ao Parlamento Europeu em Estrasburgo na quarta-feira (11), onde anunciou que a Comissão prepara opções que incluem maior uso de contratos de compra de energia de longo prazo, medidas de auxílio estatal e a possibilidade de subsidiar ou fixar um teto para o preço do gás.</p>
<p>O problema estrutural por trás da crise é conhecido. O sistema elétrico europeu foi desenhado para que a última usina necessária para cobrir a demanda total determine o preço para todos os produtores. Essa usina costuma ser a gás, o que significa que picos no seu preço se transmitem automaticamente à eletricidade, mesmo quando a maior parte da energia gerada vem de fontes mais baratas, como nuclear ou eólica.</p>
<p>A ideia de um teto carrega um histórico delicado dentro do bloco. O mecanismo criado após a invasão da Ucrânia foi calibrado para ser acionado apenas se os preços atingissem 180 euros por megawatt-hora, nunca chegou a ser usado e expirou no ano passado. Alemanha e Países Baixos resistiram à medida na época, argumentando que um teto artificial prejudicaria a capacidade europeia de competir com compradores asiáticos por cargas de gás natural liquefeito. O mesmo risco se apresenta agora: alguns navios-tanque com destino à Europa já desviaram para a Ásia desde o início do conflito, e a Europa iniciou 2026 com estoques de gás em 46 mil milhões de metros cúbicos, contra 60 bcm em 2025 e 77 bcm em 2024.</p>
<p>O conflito também abriu uma fissura política dentro do bloco. Viktor Orbán pediu à Comissão o levantamento das sanções energéticas sobre a Rússia. Moscou, percebendo a oportunidade, sinalizou que pode antecipar o corte de fornecimento de combustíveis à Europa, redirecionando volumes para mercados considerados mais promissores. Von der Leyen foi categórica: retornar ao gás e ao petróleo russos seria &#8220;um erro estratégico&#8221; que tornaria a Europa mais vulnerável, posição coerente com o roteiro da Comissão que prevê o fim de todas as importações de gás russo até 2027.</p>
<p>Analistas apontam que o choque atual ainda é uma fração dos picos de 2022, quando o brent ultrapassou os 120 dólares por barril e a inflação na zona do euro bateu 9%. Mas a pressão política é real: indústrias eletrointensivas em toda a Europa já vinham alertando que os custos de energia as colocam em desvantagem frente a concorrentes americanos e chineses, mesmo antes da guerra. O choque atual agrava um problema preexistente e coloca Bruxelas diante de uma equação difícil: oferecer alívio imediato sem comprometer a estratégia de longo prazo.</p>
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		<title>Posse de Seguro em Portugal acende debate sobre os limites da onda de extrema-direita na Europa</title>
		<link>https://europa-brasil.com/posse-de-seguro-em-portugal-acende-debate-sobre-os-limites-da-onda-de-extrema-direita-na-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 15:54:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A tomada de posse de António José Seguro como presidente de Portugal, na segunda-feira, foi recebida em Bruxelas com atenção redobrada. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, parabenizou Seguro afirmando que &#8220;a voz de Portugal em defesa de nossos valores europeus comuns permanece forte.&#8221; A frase diz mais sobre o estado de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A tomada de posse de António José Seguro como presidente de Portugal, na segunda-feira, foi recebida em Bruxelas com atenção redobrada. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, parabenizou Seguro afirmando que &#8220;a voz de Portugal em defesa de nossos valores europeus comuns permanece forte.&#8221; A frase diz mais sobre o estado de ânimo do continente do que sobre o protocolo habitual de uma posse presidencial.</p>
<p>A eleição que levou Seguro ao Palácio de Belém transformou-se num termômetro político para boa parte da Europa e o resultado foi ambíguo o suficiente para alimentar leituras opostas.</p>
<p>Seguro obteve 66% dos votos no segundo turno, contra 34% de André Ventura, líder do Chega. Uma vitória expressiva. Mas o Chega superou pela primeira vez a marca de 1,5 milhão de votos, mais do que os partidos da coligação governante obtiveram nas eleições legislativas de maio passado. Ventura perdeu a presidência, mas saiu da eleição como líder incontestável da direita portuguesa.</p>
<p>É esse paradoxo que ocupa os analistas europeus. A eleição portuguesa sublinhou uma divisão crescente entre a Europa e o seu tradicional aliado americano sobre o futuro político do continente. Enquanto o eleitorado português rejeitou o candidato populista na corrida presidencial, as forças que alimentam esse populismo &#8211; crise de habitação, salários baixos, imigração em expansão &#8211; permanecem intactas.</p>
<p>O Chega cultivou conexões significativas com outros partidos de extrema-direita europeus, incluindo o Rassemblement National de Marine Le Pen, na França, o Alternative für Deutschland, na Alemanha, e o Vox, na Espanha. Ventura esteve entre os líderes da extrema-direita europeia convidados para a posse de Donald Trump, consolidando o partido como parte de uma rede transnacional que Bruxelas monitora com crescente atenção.</p>
<p>O perfil de Seguro oferece, por ora, uma garantia institucional. Ex-eurodeputado entre 1999 e 2001, o novo presidente defende abertamente o aprofundamento da integração europeia. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, o mesmo político que derrotou Seguro na disputa pela liderança do Partido Socialista em 2014, saudou a eleição dizendo que Portugal reafirmou seu papel como &#8220;pilar do humanismo europeu.&#8221;</p>
<p>A dimensão europeia da posse vai além da retórica. Seguro questionou publicamente se Portugal deveria destinar 5% do PIB à defesa, enfatizando a necessidade de &#8220;gastar melhor, não apenas mais&#8221;, uma posição que coloca Lisboa numa zona de tensão com os apelos crescentes da NATO por maior comprometimento financeiro dos membros europeus.</p>
<p>O verdadeiro teste está no interior das fronteiras portuguesas e os resultados ali terão ressonância além delas. O desafio para o novo presidente será coexistir com um governo minoritário liderado pelo PSD de Luís Montenegro, que depende de um equilíbrio delicado entre apoio da direita e da esquerda para se manter no poder.</p>
<p>Em Portugal, os principais partidos tomaram uma decisão política clara ao se unirem para impedir que Ventura chegasse à presidência, cruzando linhas tradicionais para conter o avanço da extrema-direita. Essa coalizão defensiva funcionou para a eleição presidencial. A questão que analistas em toda a Europa colocam agora é se ela resiste ao próximo ciclo eleitoral e se o modelo português de &#8220;cordão sanitário&#8221; pode ser replicado em países como a França, onde as presidenciais de 2027 se aproximam com o cenário ainda indefinido.</p>
<p>A trajetória mais provável para Portugal é a de uma estabilização turbulenta. O Chega parece consolidar um bloco parlamentar significativo, deslocando permanentemente a agenda política em direção a temas como imigração e segurança. Seguro pode contribuir para moderar os excessos institucionais, mas a eleição de fevereiro deixou claro que as causas estruturais do descontentamento permanecem sem resposta definitiva.</p>
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		<title>Imprensa europeia cobre o conflito no Irã com contenção calculada</title>
		<link>https://europa-brasil.com/imprensa-europeia-cobre-o-conflito-no-ira-com-contencao-calculada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 17:15:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos primeiros dias após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o tom predominante na imprensa europeia foi de contenção calculada. Os grandes jornais do continente, do Le Monde ao Corriere della Sera, do Guardian ao El País, convergiram num mesmo registro: preocupação com a escalada, apelos à diplomacia e linguagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos primeiros dias após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o tom predominante na imprensa europeia foi de contenção calculada. Os grandes jornais do continente, do Le Monde ao Corriere della Sera, do Guardian ao El País, convergiram num mesmo registro: preocupação com a escalada, apelos à diplomacia e linguagem cuidadosa o suficiente para não confrontar Washington diretamente.</p>
<p>O denominador comum foi uma assimetria que não passou despercebida aos analistas. Nenhum grande jornal europeu condenou os ataques com a clareza e a velocidade que o continente usou para descrever a invasão russa da Ucrânia em 2022. A declaração conjunta de França, Alemanha e Reino Unido, amplamente reproduzida e comentada pela imprensa europeia, nem sequer nomeou os países que conduziram os ataques. O European Council on Foreign Relations foi mais direto do que qualquer redação ao classificar a postura europeia como &#8220;conspicuamente tímida.&#8221;</p>
<p>A BBC e o Corriere della Sera foram os mais neutros, descrevendo fatos e reações sem emitir juízo editorial claro. O Corriere refletiu com precisão o posicionamento do governo de Roma, destacando a declaração do chanceler Antonio Tajani de que &#8220;os EUA e Israel decidiram com autonomia e confidencialidade&#8221; e que a Itália &#8220;foi informada quando a operação já havia começado.&#8221; O Guardian enquadrou o conflito sobretudo pelo prisma das consequências para a própria Europa, com foco na fragilidade estratégica do continente e no anúncio de Macron sobre o aumento do arsenal nuclear francês. O Le Monde apostou numa abordagem investigativa, reconstituindo as operações de inteligência da CIA e do Mossad que antecederam os ataques e tratando o conflito como o desfecho de uma longa campanha de pressão, e não como uma surpresa.</p>
<p>A exceção mais evidente foi o El País. O jornal espanhol não hesitou em caracterizar a operação como uma tentativa de &#8220;derrubar o regime&#8221; logo no seu primeiro título, acompanhando de perto as declarações do primeiro-ministro Pedro Sánchez, o único líder de um grande país da União Europeia a condenar explicitamente a ação militar. O El País faz da defesa do multilateralismo um princípio editorial, e isso o distingue claramente dos seus pares do norte e do centro do continente.</p>
<p>O The Economist ocupou um espaço próprio nesse espectro e foi, entre todos, o mais provocativo. Em texto assinado pelo analista Steven Simon, o semanário britânico cunhou uma frase que se tornou referência nos círculos diplomáticos europeus: o ataque de 2025 ao programa nuclear iraniano havia encerrado meio século de relutância americana em atacar diretamente o núcleo estratégico do país, e a operação de fevereiro de 2026 &#8220;transformou um tabu rompido em método para uma nova era.&#8221; Em outro texto, o semanário analisou a estratégia militar de Trump recorrendo a uma imagem certeira: o poder aéreo sempre atraiu estrategistas americanos porque, como um crítico anterior de Bill Clinton já havia observado, &#8220;promete satisfação sem compromisso, como um caso amoroso moderno.&#8221; É o tipo de acidez que o Economist usa quando quer dizer muito dizendo pouco. A sua tese central sobre a guerra ao Irã foi igualmente cética: Trump está testando dois mitos simultaneamente, o de que o regime irá colapsar por pressão interna e o de que a sua queda criará condições para uma transição estável. O semanário não absolveu nem condenou, mas deixou claro que considera a aposta de alto risco e o desfecho genuinamente incerto.</p>
<p>O Financial Times, por sua vez, foi mais contido. A cobertura focou nos riscos econômicos, especialmente no possível choque no mercado de petróleo e nas consequências para a ordem financeira global, sem a ironia ou a provocação direta do seu compatriota semanal. É, como de costume, o jornal do establishment financeiro que prefere apontar consequências a emitir veredictos.</p>
<p>O que a cobertura europeia revela, em conjunto, é menos sobre o Irã do que sobre a Europa. Os jornais do continente operam num espaço estreito entre o desconforto genuíno com a escalada e a relutância em se posicionar contra o aliado americano numa conjuntura em que a segurança europeia depende, em larga medida, de Washington.</p>
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