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	<title>Arquivo de Notícias - Europa | Brasil</title>
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		<title>Imprensa europeia destaca virada de Lula e contestação do resultado</title>
		<link>https://europa-brasil.com/imprensa-europeia-destaca-virada-de-lula-e-contestacao-do-resultado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 16:39:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença ficou em 4,4 milhões de votos, mais que o dobro da vantagem que Lula teve sobre Jair Bolsonaro em 2022. Foi também a primeira vez desde a redemocratização que o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença ficou em 4,4 milhões de votos, mais que o dobro da vantagem que Lula teve sobre Jair Bolsonaro em 2022. Foi também a primeira vez desde a redemocratização que o segundo colocado no primeiro turno venceu a disputa pela Presidência.</p>
<p>Nos principais jornais europeus, a cobertura combinou três leituras. A primeira destaca a virada, que as pesquisas não indicavam. A segunda vê no resultado um freio ao avanço da direita na América Latina e à influência do presidente americano Donald Trump na região, onde Chile, Bolívia e Colômbia elegeram governos de direita. A terceira é um alerta sobre o governo que começa, com um Congresso mais conservador e a recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer a derrota.</p>
<h2 id="guardian-e-corriere-contam-a-história-de-uma-virada">Guardian e Corriere contam a história de uma virada</h2>
<p>O The Guardian, um dos principais jornais de centro-esquerda do Reino Unido, tratou a eleição como a história de uma recuperação política. O jornal lembrou que a derrota no primeiro turno chegou a pôr em dúvida o futuro de Lula e abalou o campo progressista. Para o Guardian, o quarto mandato é o ponto alto de uma carreira de meio século, que descreveu como incrível, embora às vezes controversa.</p>
<p>O Corriere della Sera, um dos maiores jornais da Itália, seguiu linha parecida e apresentou Lula como &#8220;o sobrevivente&#8221;, capaz de voltar depois de reveses judiciais e eleitorais. O jornal também deu destaque ao contexto confuso do segundo turno. A votação foi prorrogada por duas horas por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da campanha de Lula, que relatou problemas no transporte público. É nessa prorrogação que Flávio Bolsonaro se apoia para pedir a anulação da eleição.</p>
<h2 id="le-monde-e-el-país-leem-o-resultado-além-do-brasil">Le Monde e El País leem o resultado além do Brasil</h2>
<p>O Le Monde, principal jornal de referência da França, destacou que as pesquisas apontavam Flávio Bolsonaro à frente, ainda que em empate técnico. Na análise do diário, a chance de volta de um bolsonarismo mais radical e alinhado a Trump levou eleitores a comparecer em massa às urnas. O jornal leu o resultado como uma afirmação da democracia, da soberania nacional, da proteção da Amazônia e da justiça social. Ao mesmo tempo, avaliou que o quarto mandato será complicado, diante de um Congresso mais conservador e da pressão da sociedade civil.</p>
<p>O El País, um dos principais jornais da Espanha, fez a leitura mais geopolítica. Na reportagem, apresentou Lula como contrapeso a Trump e referência da esquerda latino-americana. Em artigo de opinião, afirmou que a derrota de Flávio Bolsonaro é um revés para o que chamou de intervencionismo partidário de Trump na região e interrompe uma sequência de sete derrotas eleitorais da esquerda latino-americana em 20 meses. O jornal também apontou a disputa que se abre na direita brasileira após a derrota da família Bolsonaro.</p>
<p>Na Espanha, o resultado ganhou ainda leitura doméstica. O primeiro-ministro Pedro Sánchez, que convocou eleições antecipadas para o fim de novembro, escreveu nas redes sociais que o que aconteceu no Brasil também vai acontecer no país dele.</p>
<h2 id="alemanha-põe-a-contestação-no-centro">Alemanha põe a contestação no centro</h2>
<p>A revista semanal alemã Der Spiegel adotou um tom mais factual. Destacou que Lula, aos 80 anos, conquistou um quarto mandato histórico, mas classificou a vitória como apertada e deu peso imediato à recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer a derrota.</p>
<p>A dpa, maior agência de notícias da Alemanha, lembrou os ataques às sedes dos Três Poderes em 2023, depois que Jair Bolsonaro também não reconheceu a derrota. A agência ouviu Maximilian Hedrich, da Fundação Konrad Adenauer, ligada ao partido do chanceler Friedrich Merz. Para ele, a experiência de Lula como negociador ajuda, mas o presidente vai depender mais do que nunca de acordos com uma oposição de direita forte no Congresso.</p>
<h2 id="governos-e-bruxelas-falam-em-parceria-e-comércio">Governos e Bruxelas falam em parceria e comércio</h2>
<p>Os governos europeus também se manifestaram. O chanceler Merz disse querer aprofundar a parceria estratégica com o Brasil, e o presidente francês Emmanuel Macron escreveu que os dois países têm muito a construir juntos. Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil. Segundo a dpa, ela também disse que a parceria entre Europa e Brasil vive um bom momento e que os dois lados vão seguir juntos na defesa do comércio livre e aberto.</p>
<p>A menção ao comércio tem relação direta com o acordo entre Mercosul e União Europeia. O tratado vale de forma provisória desde maio, depois de mais de 25 anos de negociação. A aplicação definitiva ainda depende de um parecer do Tribunal de Justiça da União Europeia, pedido pelo Parlamento Europeu, órgão formado por deputados eleitos nos 27 países do bloco. Essa análise pode levar até dois anos.</p>
<p>Para as empresas brasileiras, o acordo já tem efeito prático. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 94% das exportações do país para o bloco devem ficar livres de tarifa em até quatro anos. Do lado europeu, as principais resistências ao tratado partiram de França e Polônia.</p>
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		<title>Duas falhas críticas no PHP tiram sites de governos europeus do ar</title>
		<link>https://europa-brasil.com/duas-falhas-criticas-no-php-tiram-sites-de-governos-europeus-do-ar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 22:22:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas vulnerabilidades críticas no PHP, linguagem presente em quase sete em cada dez sites cuja tecnologia é identificável, levaram órgãos públicos da Europa a tirar páginas do ar por precaução. A estimativa é da W3Techs, empresa que monitora o uso de tecnologias na web. O PHP opera nos bastidores: quando alguém abre uma página, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Duas vulnerabilidades críticas no PHP, linguagem presente em quase sete em cada dez sites cuja tecnologia é identificável, levaram órgãos públicos da Europa a tirar páginas do ar por precaução. A estimativa é da W3Techs, empresa que monitora o uso de tecnologias na web.</p>
<p>O PHP opera nos bastidores: quando alguém abre uma página, o servidor executa o código, monta o conteúdo e entrega ao navegador o resultado final. É gratuito, de código aberto e mantido por voluntários. Também é a base do WordPress, que sustenta cerca de quatro em cada dez sites do mundo, de blogs a portais de governo e lojas virtuais.</p>
<p>A reação das autoridades tem relação com a gravidade das falhas. As duas receberam nota 9,2 em 10 na escala CVSS, padrão do setor para medir risco. Segundo o CERT-EU, equipe de resposta a incidentes cibernéticos das instituições da União Europeia, a nota indica possibilidade de execução remota de código sem autenticação. Na prática, um invasor poderia dar comandos a um servidor vulnerável pela internet, sem senha nem conta.</p>
<p>A GoDaddy, empresa de hospedagem, citou roubo de dados, páginas adulteradas e comprometimento total do sistema entre as consequências possíveis. Agências de cibersegurança da Europa, do Reino Unido, da Austrália e do Japão pediram atualização imediata ou a retirada dos sites do ar até a correção. Órgãos dos Países Baixos e da Finlândia desligaram páginas antes mesmo da correção, incluindo a agência holandesa de cibersegurança, segundo a AP.</p>
<p>Relatos indicam que detalhes das falhas circularam online antes da divulgação combinada, e o grupo do PHP antecipou o lançamento das correções. O diretor de tecnologia da Cloudflare, empresa de infraestrutura de internet, disse que os primeiros ataques já estavam surgindo.</p>
<p>O desafio maior está nos sites pequenos. Muitos funcionam em hospedagem compartilhada, sem equipe de segurança, e os donos nem sempre sabem quem atualiza o PHP no servidor. A Wordfence, plugin de segurança para WordPress, alertou que as atualizações automáticas habituais não aplicam esta correção. O CERT-EU orienta que as organizações que não conseguirem corrigir de imediato considerem isolar os aplicativos da rede pública.</p>
<p>A descoberta também chama atenção. A Calif, empresa de segurança, identificou uma das falhas com apoio de um modelo de inteligência artificial da OpenAI. A Wiz, empresa de segurança da Alphabet, encontrou e reportou as duas vulnerabilidades de forma independente. As descobertas foram comunicadas ao grupo do PHP ao longo de agosto.</p>
<p>Segundo a Wiz, as falhas decorrem de decisões de arquitetura tomadas há mais de uma década. Provar que podiam ser exploradas exigiu uma sequência de etapas que, na prática, estaria no limite das capacidades de pesquisadores humanos. A empresa avalia que estão entre as mais graves já encontradas no PHP.</p>
<p>Os Estados Unidos afirmaram acompanhar o caso e coordenar com agências federais e laboratórios de IA a liberação da correção, segundo a Reuters.</p>
<p>O grupo responsável pelo PHP pede que todos os usuários atualizem de imediato para as versões corrigidas — 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35. A recomendação inclui sites brasileiros hospedados em servidores que utilizam a linguagem.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Custo de vida leva protestos às ruas da Europa e pressiona governos</title>
		<link>https://europa-brasil.com/custo-de-vida-leva-protestos-as-ruas-da-europa-e-pressiona-governos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 21:11:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cerca de 550 mil pessoas participaram de manifestações contra o custo de vida na França no auge da mobilização, segundo o Ministério do Interior. Atos menores, em alguns casos violentos, ocorreram na Bélgica, na Itália, em Portugal e na Espanha. Os motivos variam de país para país, entre escolas, moradia e combustíveis, mas a pressão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-lfile-container="f4a1fcbb-5771-4e29-8cdb-094a70ffce37" data-pm-slice="1 1 []">Cerca de 550 mil pessoas participaram de manifestações contra o custo de vida na França no auge da mobilização, segundo o Ministério do Interior. Atos menores, em alguns casos violentos, ocorreram na Bélgica, na Itália, em Portugal e na Espanha. Os motivos variam de país para país, entre escolas, moradia e combustíveis, mas a pressão de preços é comum e os protestos chegam perto de eleições na Espanha, na França e na Itália.</p>
<p>Na França, os atos começaram com queixas sobre a deterioração das escolas nos subúrbios ao norte de Paris e se transformaram em uma das piores ondas de desordem em décadas, com lojas saqueadas e prédios incendiados, segundo a agência de notícias Reuters. Um deles foi a prefeitura de Limoges, do século 19, que ficou em grande parte destruída, informou a agência francesa AFP. O presidente Emmanuel Macron reconheceu parte das demandas como legítimas e condenou a violência, e o governo orientou autoridades regionais a impor toques de recolher parciais, segundo a emissora pública australiana ABC.</p>
<p>Em Milão, manifestantes atiraram pedras contra a polícia e saquearam lojas, e bloqueios de caminhoneiros, agricultores e metalúrgicos afetam o transporte no sul da Itália, com falta local de combustível, segundo a Reuters. Em Lisboa, dezenas de milhares de pessoas marcharam contra salários baixos e o preço da moradia, o que aumenta a pressão sobre o governo de centro direita. Na Espanha, o despejo de uma idosa de 87 anos desencadeou protestos por moradia e ajudou a levar o premiê Pedro Sánchez a convocar eleições antecipadas para o fim de novembro. Os dois maiores sindicatos do país apoiam uma greve geral no mesmo mês, a primeira com essa adesão conjunta em 14 anos.</p>
<p>A inflação ajuda a explicar o momento. Segundo o Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, os preços na zona do euro subiram 3,8% em 12 meses até setembro, ante 2,2% um ano antes, e a energia ficou 18,8% mais cara na estimativa preliminar. Dados da Comissão Europeia reunidos pela AFP mostram que o preço médio do diesel na União Europeia chegou a um recorde de 2,24 euros por litro no início de outubro, contra 1,59 euro em fevereiro, antes dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. Na semana seguinte, a média recuou para 2,15 euros. A AFP cita como fatores o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, o bloqueio dos houthis às exportações sauditas pelo Mar Vermelho e os ataques ucranianos a refinarias russas. O Banco Central Europeu elevou os juros em 0,25 ponto percentual em setembro, para 2,50% ao ano na taxa de depósito, e citou o conflito no Oriente Médio como fonte de pressão inflacionária.</p>
<p>Para Gilles Ivaldi, cientista político da universidade francesa Sciences Po, a preocupação com o poder de compra virou um dos principais motores da política populista na Europa, disse ele à Reuters. Jan Steckel, professor de economia política da mudança climática na Universidade Técnica de Munique, afirmou que partidos populistas costumam tratar o custo da energia como evitável e responsabilizar os governos, enquanto os choques geopolíticos que o provocam são mais difíceis de explicar, o que dificulta a vida de quem está no poder.</p>
<p>Na França, a eleição presidencial de abril do ano que vem tem Marine Le Pen, do partido de ultradireita Reunião Nacional, como favorita. A Reuters cita pesquisa do instituto Elabe segundo a qual a avaliação de Le Pen melhorou desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, enquanto a de Macron piorou. Le Pen propõe um corte forte no imposto sobre valor agregado dos combustíveis, e o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, também colocou o preço dos combustíveis no centro de sua campanha. O governo lida ainda com um déficit orçamentário crescente e com a pressão dos mercados de títulos.</p>
<p>Políticos da direita e da esquerda radicais argumentam que retomar os laços de energia com a Rússia reduziria os custos, o que contesta o consenso europeu de apoio à Ucrânia, segundo a Reuters. Na Alemanha, a AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de ultradireita que lidera as pesquisas nacionais, defende restabelecer esses laços e argumenta que o apoio a Kiev prejudica sem necessidade a economia alemã, a maior da Europa.</p>
<p>Na Itália, a premiê Giorgia Meloni enfrenta a concorrência do Futuro Nacional, novo partido de ultradireita liderado por Roberto Vannacci, que defende restabelecer as ligações de gás com a Rússia. Na Polônia, um dos aliados mais firmes de Kiev, a preocupação com as contas de energia ajuda a elevar o apoio à Confederação da Coroa Polonesa, cujo líder, Grzegorz Braun, pede a volta das compras de petróleo e gás russos.</p>
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		<title>Crise de energia põe à prova o mercado de carbono europeu</title>
		<link>https://europa-brasil.com/crise-de-energia-poe-a-prova-o-mercado-de-carbono-europeu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 13:38:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O preço que a indústria europeia paga para emitir carbono virou o principal ponto de atrito entre os líderes da União Europeia. Na cúpula de outubro em Bruxelas, convocada para tratar de competitividade e da alta da energia, a discussão sobre o mercado de carbono do bloco se estendeu até depois da meia-noite. Parte dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O preço que a indústria europeia paga para emitir carbono virou o principal ponto de atrito entre os líderes da União Europeia. Na cúpula de outubro em Bruxelas, convocada para tratar de competitividade e da alta da energia, a discussão sobre o mercado de carbono do bloco se estendeu até depois da meia-noite. Parte dos governos vê no custo das emissões um agravante da crise, enquanto outra parte teme que mexer no sistema agora afaste investimentos em energia limpa.</p>
<p>O pano de fundo é o choque provocado pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em fevereiro. Com a navegação no Estreito de Ormuz ainda comprometida e os estoques abaixo do habitual, o gás negociado na Holanda, referência para o continente, passou de 86 euros por megawatt-hora dias antes do encontro, segundo a Belga, agência de notícias da Bélgica. É o maior valor desde o fim de 2022 e quase o triplo do registrado em fevereiro. Como o custo do carbono entra no preço da eletricidade gerada com gás e carvão, vários governos passaram a associar a alta das contas de luz às regras climáticas do bloco.</p>
<p>Criado em 2005, o Sistema de Comércio de Emissões, conhecido pela sigla em inglês ETS, obriga usinas de energia, indústrias pesadas, companhias aéreas e empresas de transporte marítimo a comprar uma licença para cada tonelada de CO2 que emitem. Segundo a Comissão Europeia, as emissões dos setores cobertos caíram 51% desde então. Às vésperas da cúpula, a licença chegou perto de 88 euros por tonelada na ICE, bolsa americana onde esses papéis são negociados, o maior valor desde o fim de janeiro. No início do ano, o premiê tcheco, Andrej Babiš, defendeu um teto de 30 euros, cerca de um terço do preço atual.</p>
<p>Na véspera do encontro, os chefes de governo de Finlândia, Dinamarca e Suécia enviaram carta aos demais líderes. No texto, alertam que enfraquecer o sistema tiraria a previsibilidade de que dependem os investimentos e transferiria o esforço de corte de emissões para setores onde ele é mais difícil, inclusive do ponto de vista político. Alemanha, França, Espanha, Portugal e Holanda ficaram do mesmo lado na discussão mais tensa da noite, segundo 16 diplomatas ouvidos pelo Politico, site americano de política com redação em Bruxelas dedicada aos assuntos europeus. A posição alemã chama atenção porque, dias antes, o chanceler Friedrich Merz assinou com a premiê italiana, Giorgia Meloni, e o premiê belga, Bart De Wever, uma carta que liga o custo da energia à competitividade da indústria. Em fevereiro, ele também havia dito que o ETS poderia ser revisto ou adiado se prejudicasse as empresas.</p>
<p>Do outro lado estava o Grupo de Visegrado, aliança criada em 1991 por Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia, com o apoio de Itália e Grécia. Babiš foi o mais duro. Chamou as políticas climáticas do bloco de “ideológicas” e culpou especuladores financeiros pela alta das licenças. “Alguém está ganhando bilhões à custa da indústria europeia”, disse a jornalistas. Ele e Meloni já vinham pedindo a Bruxelas ajuda imediata para fábricas em dificuldade.</p>
<p>O ponto mais sensível foi o ETS2, novo mercado que vai cobrar pelas emissões dos combustíveis usados no transporte rodoviário e no aquecimento de edifícios a partir de 2028. Ao contrário do sistema atual, o custo chegará diretamente ao consumidor, na bomba de combustível e na conta de gás. O início já foi adiado uma vez, de 2027 para 2028, por preocupação com o impacto sobre as famílias mais vulneráveis. Os seis países queriam levar a data para 2030, com o argumento de que as diferenças de preço entre as regiões do bloco são grandes, sobretudo no Leste Europeu.</p>
<p>A proposta esbarrou na forma como a UE decide. O Conselho Europeu, que reúne chefes de Estado e de governo, define a orientação política do bloco e trabalha por consenso. Já as leis climáticas são negociadas pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE, onde os ministros de cada área votam por maioria qualificada. Diplomatas ouvidos pela Euronews, canal de notícias especializado em assuntos europeus, avaliaram que os seis levaram o tema aos líderes justamente porque não teriam maioria entre os ministros de Meio Ambiente, que dias antes já haviam exposto as mesmas divisões.</p>
<p>A negociação travou. Segundo o Politico, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, cancelou a entrevista coletiva prevista e adiou a discussão para depois do jantar, e um diplomata descreveu a sessão como “caos absurdo”. O adiamento ficou fora do texto final, mas os seis conseguiram incluir um pedido para que a Comissão Europeia atualize a avaliação de impacto do ETS2, com atenção ao desenho do sistema e às salvaguardas. O Il Sole 24 Ore, principal jornal econômico da Itália, tratou o resultado como um acordo obtido por Meloni durante a madrugada.</p>
<p>As conclusões aprovadas pelos líderes tentam acomodar os dois lados. Pedem um mercado de carbono previsível, que evite a transferência de produção para países sem custo de carbono e reduza a volatilidade dos preços e seu efeito sobre a eletricidade. Ao mesmo tempo, defendem preservar o sinal de preço definido pelo mercado como motor de investimento e inovação, e pedem pressa na reforma da Reserva de Estabilidade do Mercado, mecanismo que controla a quantidade de licenças em circulação.</p>
<p>Parte desse alívio já está em negociação. Em julho, a Comissão propôs reduzir de 24% para 12% a parcela de licenças excedentes que a reserva retira do mercado a cada ano e estender até 2038 a distribuição de licenças gratuitas a setores como aço e cimento, quatro anos além do prazo atual. A proposta ainda precisa ser aprovada pelos governos e pelo Parlamento Europeu.</p>
<h2>O que muda para o Brasil</h2>
<p>A disputa afeta diretamente exportadores brasileiros. Desde janeiro, o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira, o CBAM, obriga importadores de aço, alumínio, cimento, fertilizantes, hidrogênio e eletricidade a cobrir as emissões desses produtos com certificados, a um preço equivalente ao que a indústria local paga para emitir. A compra começa em fevereiro de 2027, referente às importações de 2026. O preço desses certificados segue o das licenças do ETS, e a Comissão fixou o do terceiro trimestre em 82,32 euros por tonelada. O aço responde pela grande maioria das vendas brasileiras alcançadas pela regra.</p>
<p>Se a proposta de julho for aprovada, a cobrança na fronteira também vai ganhar peso mais devagar, porque avança na mesma proporção em que as licenças gratuitas da indústria europeia são retiradas.</p>
<p>A discussão europeia também interessa ao Brasil, que constrói seu próprio mercado regulado, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado por lei em 2024. A proposta do Ministério da Fazenda, que passou por consulta pública até agosto, prevê que aço, cimento, alumínio, papel e celulose, petróleo e gás e aviação comecem a relatar emissões a partir de 2027. A lei brasileira determina que as primeiras cotas sejam distribuídas de graça, como a Europa fez no início do seu sistema, e o governo pretende concluir a regulamentação até o fim do ano.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Tesla abre mão do “Full Self-Driving” na Europa em troca de apoio alemão</title>
		<link>https://europa-brasil.com/tesla-abre-mao-do-full-self-driving-na-europa-em-troca-de-apoio-alemao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 17:04:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Tesla deixou de usar o nome Full Self-Driving, ou “direção autônoma total”, na Europa. Nos sites europeus da marca, o sistema de assistência ao motorista passou a se chamar Tesla Assisted Driving, a condução assistida Tesla. O software é o mesmo: acelera, freia, faz curvas e estaciona, mas exige que o motorista acompanhe a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Tesla deixou de usar o nome Full Self-Driving, ou “direção autônoma total”, na Europa. Nos sites europeus da marca, o sistema de assistência ao motorista passou a se chamar Tesla Assisted Driving, a condução assistida Tesla. O software é o mesmo: acelera, freia, faz curvas e estaciona, mas exige que o motorista acompanhe a estrada e assuma o controle quando for preciso.</p>
<p>A mudança atende ao governo da Alemanha. No início de outubro, o Ministério dos Transportes alemão afirmou que o nome antigo era “um tanto enganoso”, porque o sistema não assume toda a tarefa de dirigir e o motorista segue integralmente responsável pelo carro. Segundo o ministério, a própria Tesla ofereceu a troca em reuniões realizadas em setembro com o ministro Steffen Bilger, do mesmo partido do chanceler Friedrich Merz e no cargo desde o fim de julho.</p>
<p>Em troca, Berlim passou a defender a liberação do sistema em toda a União Europeia. Bilger disse que quer ver os motoristas da Tesla usando a condução assistida em todo o bloco “o mais rápido possível”. Elon Musk, que comanda a Tesla, agradeceu na rede social X com um “Danke schön”. Nas mesmas conversas, segundo a agência de notícias Reuters, os dois lados combinaram que o sistema poderá rodar até 10% acima do limite de velocidade, posição que a Alemanha vai levar a Bruxelas.</p>
<p>O apoio alemão pesa por causa do modo como a aprovação funciona na Europa. O sistema recebeu sinal verde primeiro nos Países Baixos, em abril, depois de 18 meses de testes da RDW, a agência holandesa que homologa veículos. Como as regras europeias ainda não preveem esse tipo de tecnologia, a autorização usou um mecanismo de exceção para inovações. Para valer nos 27 países, ela precisa passar por um comitê técnico ligado à Comissão Europeia, por maioria qualificada: ao menos 15 países que somem 65% da população do bloco. A Alemanha, sozinha, reúne quase um quinto dos habitantes da União Europeia.</p>
<p>Oito países já autorizaram o uso em seus territórios: Países Baixos, Lituânia, Estônia, Dinamarca, Bélgica, Eslovênia, República Tcheca e Croácia. Segundo a Reuters, a Eslováquia deve ser a próxima. Mas a votação europeia, prevista para outubro, foi adiada para dezembro, no mínimo. Suécia e França demonstraram preocupação com a possibilidade de o sistema ultrapassar os limites de velocidade, e alguns países pediram testes adicionais. Na Suécia, órgãos de defesa do consumidor pediram à agência de transportes que avaliasse se a publicidade da Tesla sugeria direção totalmente autônoma.</p>
<p>A Tesla apresenta o sistema como uma tecnologia capaz de salvar vidas. Em seu relatório de segurança, com dados da América do Norte, a empresa afirma que carros com o sistema ativo registram um acidente grave a cada 8 milhões de quilômetros rodados, o equivalente a 200 voltas ao redor da Terra. Pelo cálculo da Tesla, a média de todos os veículos dos Estados Unidos é de um a cada 1,06 milhão de quilômetros. Para a Europa, a empresa divulgou números próprios: em mais de 100 milhões de quilômetros rodados em cinco países, os carros com o sistema teriam se envolvido em 4,1 vezes menos colisões do que os Teslas dirigidos manualmente.</p>
<p>Esses números são contestados. Uma investigação da Reuters publicada em outubro ouviu sete pesquisadores de segurança viária. Para eles, os estudos da empresa não comprovam que o sistema reduz acidentes fatais. Em reportagem anterior, a agência apontou que a Tesla compara apenas os acidentes que acionam o airbag em seus carros com uma média americana que inclui batidas menos graves. A Reuters também relatou pressão da Tesla para que a RDW tornasse sua análise mais barata e menos extensa.</p>
<p>A agência holandesa afirma que não se baseou apenas nas informações da fabricante. Segundo a RDW, foram mais de 3 mil horas de testes próprios, e seus especialistas revisaram de forma independente a análise estatística da Tesla. Em junho, o órgão informou que cerca de 40 mil carros da marca já tinham rodado 24 milhões de quilômetros com o sistema nos Países Baixos, sem incidentes relevantes.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o nome original continua. O sistema é vendido como Full Self-Driving (Supervised), por assinatura de US$ 99 por mês. Mas o debate também chegou lá. No fim do ano passado, o órgão que regula veículos na Califórnia concluiu que a Tesla usou de forma enganosa os termos “Autopilot” e “Full Self-Driving” na publicidade. Para evitar a suspensão das vendas no estado, a empresa deixou de usar “Autopilot” no marketing local e, em seguida, recorreu à Justiça contra a decisão. Na China, o sistema já aparece como condução assistida inteligente.</p>
<p>Por trás da discussão sobre o nome há uma distinção técnica. A escala de automação usada pela indústria vai do nível 0 ao 5. No nível 2, caso do sistema da Tesla, o motorista continua responsável pela condução. No nível 3, o carro assume a direção em situações específicas e o motorista pode tirar os olhos da via. A Mercedes-Benz foi pioneira nesse nível com o Drive Pilot, aprovado na Alemanha para rodovias, e assumia a responsabilidade quando o recurso estava ligado. No início deste ano, porém, a montadora decidiu não oferecê-lo na nova Classe S. A aposta passou a ser o MB.Drive Assist Pro, de nível 2, que funciona também na cidade e exige atenção permanente do motorista. É nessa mesma categoria de sistemas supervisionados que a Tesla busca a aprovação europeia.</p>
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		<title>Escassez de água na Espanha pressiona a agricultura europeia</title>
		<link>https://europa-brasil.com/escassez-de-agua-na-espanha-pressiona-a-agricultura-europeia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 20:02:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Números]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Espanha, que fornece cerca de um quarto das frutas e hortaliças frescas consumidas na Europa, teve em 2026 o verão mais quente desde pelo menos 1869, de acordo com a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet). A temperatura média ficou 2,4 °C acima da referência de 1991 a 2020, e a chuva chegou a 56% [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Espanha, que fornece cerca de um quarto das frutas e hortaliças frescas consumidas na Europa, teve em 2026 o verão mais quente desde pelo menos 1869, de acordo com a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet). A temperatura média ficou 2,4 °C acima da referência de 1991 a 2020, e a chuva chegou a 56% do normal. Julho foi o mais quente da série histórica e o mais seco desde que há registros.</p>
<p>O prejuízo agrícola foi estimado em setembro, depois de reunião de ministros da Agricultura do bloco. O comissário europeu da área, Christophe Hansen, falou em perdas de 14 bilhões a 17 bilhões de euros com o calor, a seca e os incêndios do verão, em avaliação preliminar. Segundo ele, só 12% da produção agrícola da União Europeia está segurada contra danos.</p>
<p>As represas espanholas chegaram a outubro com 58,3% da capacidade, acima do nível de um ano antes, segundo o Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico. O volume armazenado, de cerca de 32,7 trilhões de litros, é 33 vezes o que o Sistema Cantareira, principal manancial da Grande São Paulo, guarda quando está cheio. O nível, porém, cai de uma semana para outra: na mais recente, as represas perderam 517 bilhões de litros, pouco mais da metade da capacidade do Cantareira.</p>
<p>Um exemplo é Doñana, área úmida no sudoeste do país protegida pela Unesco. As chuvas elevaram a marisma, planície que alaga no inverno, ao maior nível de inundação desde 2010, mas só 36% das lagoas chegaram a inundar em 2025, segundo a Estação Biológica de Doñana, ligada ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), principal órgão público de pesquisa do país. Os pesquisadores atribuem o resultado à falta de recarga do aquífero, explorado há décadas para irrigação agrícola. O diretor da estação, Eloy Revilla, afirma que a melhora do inverno interrompeu a deterioração, mas não a reverteu: “Não podemos desenhar políticas de gestão da água com base em anos excepcionais”.</p>
<p>A resposta de Bruxelas veio no discurso anual sobre o Estado da União, feito em setembro no Parlamento Europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou o verão de “verão da verdade”, anunciou uma nova iniciativa europeia para a água e uma aliança para ampliar o seguro contra desastres climáticos. Segundo ela, as redes de abastecimento do continente perdem quase um em cada quatro litros, sobretudo por vazamentos.</p>
<p>A Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica, lançada em 2025, já pede aos países do bloco ganho de pelo menos 10% na eficiência do uso da água até 2030. Hansen defendeu mais investimento em armazenamento de água e em irrigação de precisão, além de seguro obrigatório para os agricultores. A Comissão deve apresentar ainda em outubro um marco de resiliência climática que prevê identificar os cem territórios mais vulneráveis da Europa.</p>
<p>Em paralelo, a parte comercial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é aplicada provisoriamente desde maio entre o bloco europeu e os países sul-americanos que concluíram a ratificação, caso de Argentina, Brasil e Uruguai, segundo a Comissão Europeia. Pelo texto, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que representa os produtores rurais do país, frutas como abacate, limão, melão, melancia, uva de mesa e maçã terão as tarifas de importação eliminadas, sem cotas de volume.</p>
<p>A lista inclui frutas que a Espanha vende ao continente. Em 2025, o país exportou 12 milhões de toneladas de frutas e hortaliças frescas, no valor de 18,7 bilhões de euros, segundo a Federação Espanhola de Associações de Produtores Exportadores de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Vivas (Fepex), e 18,2 bilhões de euros tiveram a Europa como destino. Só de melancia, uma das frutas com tarifa zero, foram 820 mil toneladas, no valor de 604 milhões de euros.</p>
<p>Para o Brasil, a União Europeia foi, em 2025, o segundo principal destino do agronegócio, com 14,9% do total exportado, ou US$ 25,2 bilhões, segundo a CNA, que vê nas frutas espaço para diversificar uma pauta concentrada em soja, café, celulose, suco de laranja e carnes.</p>
<p>Os europeus mantêm proteção para o setor. A Comissão Europeia afirma que o acordo protege agricultores, consumidores e normas ambientais do bloco, e o Parlamento Europeu aprovou um regulamento de salvaguardas agrícolas. Pelas regras, a Comissão pode abrir investigação quando as importações de produtos sensíveis, entre eles frutas cítricas, aumentarem 5% em média ao longo de três anos e, ao mesmo tempo, os preços de importação forem 5% inferiores ao preço interno. Se um aumento repentino das importações prejudicar os produtores europeus, ela pode suspender temporariamente as preferências tarifárias. Os cítricos, que lideram as exportações espanholas de frutas, estão na lista.</p>
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		<title>Protestos nas escolas testam a margem fiscal da França</title>
		<link>https://europa-brasil.com/protestos-nas-escolas-testam-a-margem-fiscal-da-franca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 19:20:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os protestos de estudantes do ensino médio ocorrem num momento em que o governo francês propõe ao Parlamento um ajuste de cerca de 54 bilhões de euros no orçamento de 2027 e o país paga, nos títulos de dez anos, os juros mais altos desde 2002. Num único dia de mobilização, o Ministério do Interior [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os protestos de estudantes do ensino médio ocorrem num momento em que o governo francês propõe ao Parlamento um ajuste de cerca de 54 bilhões de euros no orçamento de 2027 e o país paga, nos títulos de dez anos, os juros mais altos desde 2002.</p>
<p>Num único dia de mobilização, o Ministério do Interior contou 1.027 liceus afetados, como são chamadas as escolas de ensino médio na França. É mais de um quarto das cerca de 3.700 do país. O movimento começou em setembro em uma escola de Créteil, na região de Paris. Outras escolas aderiram em poucos dias, vídeos circularam nas redes sociais e professores de algumas unidades fizeram greve. No fim do mês, a União Sindical Liceana, entidade estudantil, convocou bloqueios em todo o país, no mesmo dia de uma mobilização do funcionalismo público. Integrantes do partido de esquerda La France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon, declararam apoio ao movimento.</p>
<p>As reivindicações são concretas: substituição imediata de professores ausentes, mais profissionais nas escolas, como enfermeiros, turmas menos cheias, reforma de prédios descritos como degradados e horários mais leves. Os alunos também reclamam da pressão do Parcoursup, plataforma nacional pela qual se candidatam a cursos superiores.</p>
<p>A falta de professores é o ponto mais citado. O SNES-FSU, maior sindicato de professores do ensino secundário, ouviu 1.033 escolas, entre colégios e liceus (anos finais do fundamental e ensino médio), no início do ano letivo. Encontrou ao menos um professor faltando em 53% delas, com índice acima de 70% na região de Versalhes. O levantamento é do próprio sindicato, não um dado oficial, e mostra leve melhora sobre os 55% do ano passado. O ministro da Educação, Édouard Geffray, havia comemorado antes das aulas o avanço no recrutamento.</p>
<p>Pesquisadores franceses lembram, em análise no The Conversation, site de artigos acadêmicos, que mobilizações de alunos no início do ano letivo se repetem desde o fim dos anos 1970. Desta vez, o movimento alcançou dimensão nacional e coincidiu com outras fontes de insatisfação. O custo de vida pesa: o primeiro-ministro anunciou a liberação de parte das reservas estratégicas de diesel para baixar o preço nas bombas e tratou, no mesmo pronunciamento, de escolas, combustíveis, crise no campo e finanças públicas. O debate ocorre ainda em plena campanha para a eleição presidencial de 2027.</p>
<p>Houve violência. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, falou em cerca de 6.600 detenções. Segundo ele, 761 agentes das forças de segurança ficaram feridos, assim como 215 alunos e 89 profissionais da educação. De acordo com Geffray, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas, e cerca de 30 mil alunos dessas unidades ficarão semanas sem aulas presenciais.</p>
<p><strong>A resposta e as contas públicas</strong></p>
<p>O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que lidera um governo sem maioria na Assembleia Nacional, apresentou cinco frentes de trabalho: substituição de professores, condições materiais das escolas, calendário escolar, transparência do Parcoursup e formas de expressão dos alunos. Lembrou que o orçamento da Educação será de 64 bilhões de euros em 2027, alta de 1,2 bilhão. Partidos de esquerda e de extrema-direita criticaram a falta de medidas imediatas. Geffray disse que apresentará nos próximos dias um plano de emergência para substituir professores ausentes.</p>
<p>A dívida pública chegou a 119% do PIB, cerca de 3,6 trilhões de euros (R$ 20 trilhões), segundo o Insee, instituto de estatísticas do país. Sem medidas de economia, o déficit de 2027 ficaria perto de 6,5% do PIB, disse Lecornu ao jornal Le Figaro. A meta do governo é de 5%. Segundo o premiê, a conta de juros deve subir 10 bilhões de euros no ano que vem, mais de oito vezes o aumento previsto para a Educação. Fora juros e Defesa, as verbas dos ministérios devem ficar praticamente congeladas, segundo o projeto de orçamento.</p>
<p>Nos mercados, o rendimento do título francês de dez anos chegou perto de 5% no início de outubro. A diferença em relação ao título alemão, referência de segurança na zona do euro, atingiu cerca de 1,6 ponto percentual, a maior em mais de uma década. Essa diferença, que mede o risco cobrado pelos investidores, quase dobrou neste ano. Para Andrew Kenningham, da consultoria britânica Capital Economics, os compradores de títulos temem que os deputados diluam as medidas fiscais do governo antes da eleição presidencial. O primeiro turno está marcado para abril de 2027, e o presidente, Emmanuel Macron, não pode concorrer de novo.</p>
<p>O Ministério da Educação diz que a adesão recuou nos últimos dias, mas entidades estudantis mantiveram o chamado para novos bloqueios e passeatas. Os deputados começam a debater o orçamento nas próximas semanas, com votação final prevista para meados de novembro, e a agência de classificação de risco Moody&#8217;s deve revisar a nota da França ainda em outubro.</p>
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		<title>FMI defende reformas na Europa Central e Oriental para acelerar o crescimento</title>
		<link>https://europa-brasil.com/fmi-defende-reformas-na-europa-central-e-oriental-para-acelerar-o-crescimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 13:46:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Números]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O crescimento de médio prazo da Europa Central e Oriental caiu para uma média de 2,5% ao ano, metade dos cerca de 5% registrados antes de os países da região entrarem na União Europeia (UE). O número foi apresentado por Carlos Mulas-Granados, representante regional do Fundo Monetário Internacional (FMI), em conferência em Budapeste sobre o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O crescimento de médio prazo da Europa Central e Oriental caiu para uma média de 2,5% ao ano, metade dos cerca de 5% registrados antes de os países da região entrarem na União Europeia (UE). O número foi apresentado por Carlos Mulas-Granados, representante regional do Fundo Monetário Internacional (FMI), em conferência em Budapeste sobre o papel da Hungria no bloco e a possível adoção do euro. O evento foi organizado pelo Portfolio, portal húngaro de notícias financeiras.</p>
<p>Mulas-Granados chefia o escritório do FMI em Varsóvia, que acompanha as economias da Europa Central, Oriental e Sudeste. Segundo ele, o prazo para a região se aproximar do nível de renda da Europa Ocidental ficou bem mais longo. Na conta simples, uma economia que cresce 5% ao ano dobra de tamanho em cerca de 14 anos. A 2,5%, leva cerca de 28.</p>
<p>A contribuição da região para o crescimento da UE também recuou, para 27% entre 2020 e 2026, ante 30% antes da pandemia. Ele atribuiu a queda, em parte, ao enfraquecimento das perspectivas de exportação para a Alemanha, principal parceira comercial da Europa Central. As projeções do FMI divulgadas em julho preveem expansão de 0,7% da economia alemã neste ano e de 1,0% em 2027, com revisão para baixo de 0,2 ponto percentual no segundo ano em relação a abril. Para a Polônia, maior economia da região, o Fundo estima 3,4% neste ano e 2,4% no próximo.</p>
<p>Entre os desafios, Mulas-Granados citou o declínio demográfico e a concorrência crescente das exportações chinesas. Para enfrentá-los, recomendou diversificar o comércio, ampliar a participação de jovens, mulheres e trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho e acelerar a inovação e o preparo para a inteligência artificial.</p>
<p>Ele também defendeu que os países transformem os setores de energia, clima e defesa em novos motores de crescimento, em vez de depender principalmente de fornecedores dos Estados Unidos ou da Coreia do Sul na compra de equipamentos. Os gastos militares estão em alta na região. Um dos instrumentos é o SAFE, programa de 150 bilhões de euros em empréstimos para compras de defesa, concebido para estimular a aquisição de equipamentos europeus. Segundo a Comissão Europeia, braço executivo da UE, a Polônia ficou com a maior parcela, 43,7 bilhões de euros, seguida pela Romênia, com 16,7 bilhões. Na atualização de julho, o FMI avaliou que o aumento dos gastos com defesa compensa em parte o efeito dos preços mais altos de energia sobre as economias emergentes da Europa.</p>
<p>Para Mulas-Granados, o próximo orçamento da UE pode dar à região a chance de transformar seu modelo de crescimento. O texto em negociação cobre o período de 2028 a 2034. A Comissão propôs quase 2 trilhões de euros e reuniu fundos de coesão, que financiam regiões menos desenvolvidas, e recursos agrícolas em planos nacionais, além de criar um fundo de competitividade. Seis países que contribuem mais do que recebem do orçamento comum pediram, segundo a rede europeia de notícias Euronews, um corte de centenas de bilhões de euros. A Polônia argumentou, em reunião de ministros do bloco, que coesão e agricultura devem seguir no centro do orçamento. Os líderes dos 27 países voltam ao tema em reunião neste mês, com meta de acordo até o fim do ano.</p>
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		<title>Eleição no Brasil mantém acordo em vigor e abre cenários para a relação com a Europa</title>
		<link>https://europa-brasil.com/eleicao-no-brasil-mantem-acordo-em-vigor-e-abre-cenarios-para-a-relacao-com-a-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 16:47:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O segundo turno da eleição presidencial brasileira, no fim de outubro, vai definir quem governa o país a partir de 2027 e em que condições o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será implementado. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O segundo turno da eleição presidencial brasileira, no fim de outubro, vai definir quem governa o país a partir de 2027 e em que condições o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será implementado. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença, de menos de dois pontos percentuais, é a menor entre primeiro e segundo colocados no primeiro turno desde 1989.</p>
<p>O acordo tem trajetória própria: a parte comercial é aplicada desde maio, e o restante da tramitação está em Bruxelas. O que o resultado pode alterar é o tom político da relação, a forma de implementação e o ambiente doméstico em que ela ocorrerá, com um Congresso mais conservador e uma renovação prevista no Supremo Tribunal Federal (STF). A seguir, o que se sabe e os cenários para o curto, o médio e o longo prazo.</p>
<p>Flávio foi o mais votado em 14 estados e no Distrito Federal, e Lula em 12. Lula manteve a vantagem no Nordeste, e Flávio virou o resultado de 2022 em Minas Gerais e Tocantins. A abstenção foi de 21,08%, a maior desde 1998. Lula prometeu iniciar de imediato uma nova campanha para virar o resultado, e Flávio disse que o Brasil quer mudança.</p>
<p>A direita ampliou espaço também fora da Presidência. O PL elegeu cinco governadores no primeiro turno, o PSD elegeu quatro e o PT, três. No Senado, o PL deve começar a legislatura com 28 senadores, a maior bancada desde 1988, e na Câmara terá 121 deputados, segundo projeções. O Centrão, bloco de partidos de centro e de direita, ficou neutro na disputa presidencial, e o próximo presidente terá de negociar com esse Congresso.</p>
<p>A imprensa estrangeira destacou a reviravolta na contagem, a prisão de Jair Bolsonaro e a proximidade de Flávio com o governo de Donald Trump. O New York Times escreveu que a disputa pareceu muito acirrada e o Wall Street Journal que Lula enfrenta uma batalha difícil no segundo turno. O Le Monde e o Guardian destacaram a vantagem de Flávio. O argentino La Nación citou sua proximidade com Trump e com o presidente argentino, Javier Milei, e o South China Morning Post, de Hong Kong, lembrou sua proposta sobre acesso dos Estados Unidos a minerais críticos.</p>
<p>Analistas veem Flávio como favorito, e desde a redemocratização o candidato que liderou o primeiro turno sempre venceu. Os mercados reagiram: o contrato futuro do Ibovespa subiu cerca de 9% na abertura, e o dólar futuro recuou mais de 4%, para perto de R$ 5. Analistas atribuem o movimento à expectativa de maior disciplina fiscal e de um Congresso mais conservador.</p>
<p><strong>Curto prazo: até a posse, no início de 2027</strong></p>
<p>Nas próximas semanas, os sinais relevantes para a Europa são as primeiras pesquisas do segundo turno, os apoios dos candidatos eliminados, a escolha das equipes econômicas e as declarações dos dois candidatos sobre o acordo com o Mercosul. Flávio disse em julho que proporá um acordo de livre comércio entre Brasil, Estados Unidos, México e Canadá nos moldes do Nafta.</p>
<p>O acordo segue em aplicação, qualquer que seja o resultado. No fim de setembro, o Tribunal de Justiça da UE (TJUE) rejeitou o pedido da Polônia para suspender a aplicação provisória da parte comercial, e a ação principal do país contra a decisão do Conselho da UE continua em análise. Desde maio, a UE eliminou tarifas de mais de 5 mil produtos, cerca de metade do universo tarifário, e a ApexBrasil estimou que as exportações brasileiras ao bloco poderiam crescer até US$ 1 bilhão em 12 meses.</p>
<p>Há também uma agenda técnica em curso. A UE suspendeu em setembro as importações brasileiras de carne bovina, aves, ovos e mel, por causa das regras europeias sobre antimicrobianos. O representante comercial da UE afirmou ao governo brasileiro que as exportações de aves e mel podem ser retomadas no curto prazo. O novo Senado toma posse em fevereiro.</p>
<p><strong>Médio prazo: o mandato de 2027 a 2030</strong></p>
<p>Do lado europeu, o Parlamento Europeu pediu em janeiro um parecer do TJUE sobre o acordo e ainda precisa dar o consentimento final, sem prazo definido. A ratificação dos pilares político e de cooperação por todos os países da UE também não tem previsão. Até lá, o acordo é aplicado de forma provisória. Em dezembro de 2025, Conselho e Parlamento Europeu chegaram a acordo sobre um regulamento de salvaguardas bilaterais, voltado a produtos agrícolas sensíveis.</p>
<p>Em qualquer cenário, o acordo reduz tarifas e amplia o acesso a mercados, mas não elimina divergências sobre agricultura, clima, subsídios e origem dos produtos. Do lado europeu, a tendência é manter os padrões ambientais, sanitários e de rastreabilidade, e uma UE pressionada por partidos conservadores pode proteger com mais rigor seus agricultores e indústrias. Em setembro, a Alternativa para a Alemanha (AfD) teve 43,8% dos votos em eleição regional no leste do país, e o Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, formou pela primeira vez um grupo no Senado francês.</p>
<p>No Brasil, o ambiente de negócios dependerá da capacidade de execução do vencedor. Um presidente com maioria legislativa poderá aprovar mudanças com mais rapidez, e um sem maioria dependerá de negociações. Lula deve preservar a prioridade para energia renovável e política industrial ligada à descarbonização, e Flávio pode ampliar o espaço para concessões, petróleo, gás e mineração.</p>
<p>O STF também entra na conta. Luiz Fux, Carmen Lúcia e Gilmar Mendes completam 75 anos, idade da aposentadoria obrigatória, entre 2028 e 2030, e a cadeira vazia desde a saída de Luís Roberto Barroso pode elevar para quatro o número de indicações. Cada nome precisa de 41 dos 81 votos do Senado, que em abril rejeitou a indicação de Jorge Messias, feita por Lula, a primeira rejeição desde 1894. Analistas apontam que o avanço de aliados de Bolsonaro no Senado pode afetar a composição futura do tribunal, cujas decisões alcançam contratos públicos, concessões, licenciamento ambiental e tributação.</p>
<p><strong>Longo prazo: três cenários para a relação</strong></p>
<p>Nos três cenários abaixo, comércio, investimentos e o acordo criaram interesses de parte a parte que tendem a preservar a cooperação. O que muda é o tom e a intensidade das divergências.</p>
<p>Se Lula vencer, a tendência é de maior convergência política com a UE, com defesa do acordo, ênfase em clima, multilateralismo e transição energética e busca de investimentos europeus em infraestrutura, energia limpa e indústria. As disputas comerciais sobre agricultura, barreiras técnicas e sustentabilidade permaneceriam.</p>
<p>Se Flávio vencer e formar uma base funcional no Congresso, o governo poderia priorizar concessões, investimento privado, segurança energética e revisão de regulações. A relação comercial com a Europa provavelmente seria mantida, porque o Brasil tem interesse em ampliar exportações e atrair capital, mas com mais resistência a exigências ambientais e maior aproximação com os Estados Unidos. O ponto em aberto é se um governo do PL trataria exigências como as de rastreabilidade e combate ao desmatamento como parte do acordo ou como barreiras externas à competitividade brasileira.</p>
<p><span data-olk-copy-source="MessageBody">Se o vencedor tiver governabilidade limitada, com dificuldade para negociar com o Congresso, os governadores ou o STF, o principal risco para as empresas não seria uma orientação ideológica específica, mas a instabilidade regulatória e a demora nas decisões.</span></p>
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		<title>Empresas suecas ampliam investimentos e apostas tecnológicas no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Europa &#124; Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 17:18:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As empresas suecas instaladas no Brasil seguem reforçando investimentos industriais, tecnológicos e de inovação no país. Anúncios recentes de Scania, Electrolux, Saab e Volvo mostram que os grupos mantêm apostas de longo prazo no mercado brasileiro, em setores que vão de transporte e eletrodomésticos à defesa e à mobilidade elétrica. Os dados mais recentes das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As empresas suecas instaladas no Brasil seguem reforçando investimentos industriais, tecnológicos e de inovação no país. Anúncios recentes de Scania, Electrolux, Saab e Volvo mostram que os grupos mantêm apostas de longo prazo no mercado brasileiro, em setores que vão de transporte e eletrodomésticos à defesa e à mobilidade elétrica.</p>
<p>Os dados mais recentes das empresas indicam expansão de capacidade produtiva, novos aportes e avanço em tecnologias de descarbonização. Uma pesquisa da Business Sweden divulgada em maio complementa esse cenário: o levantamento, feito com 60 companhias suecas em operação no Brasil, mostrou que a maioria permanece lucrativa e espera ampliar o faturamento, ainda que o ambiente de negócios seja visto como mais desafiador.</p>
<p>Entre os entraves apontados estão juros altos, pressão inflacionária, complexidade regulatória, burocracia, carga tributária, procedimentos aduaneiros, exigências de conformidade e incerteza política. Entre os fatores favoráveis, destacam-se o tamanho do mercado brasileiro, a base industrial e a demanda por soluções em saúde, equipamentos industriais, mineração, mobilidade, energia e serviços digitais. Segundo a pesquisa, a marca sueca continua associada a qualidade, inovação, sustentabilidade e confiabilidade.</p>
<p>Os investimentos aparecem sobretudo na indústria. A Scania, presente no Brasil desde 1957, mantém em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, uma unidade com capacidade para produzir 30 mil veículos por ano e quase 6 mil funcionários. A companhia anunciou um ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões entre 2025 e 2028, voltado à descarbonização do transporte e à preparação industrial para novas tecnologias.</p>
<p>Desse total, R$ 120 milhões foram destinados à nacionalização da plataforma Super de chassis rodoviários, incluindo pesquisa e desenvolvimento, atualização da linha de montagem e desenvolvimento de fornecedores. A Scania informa ter mais de 2 mil caminhões movidos a gás em operação no Brasil e projeta chegar a cerca de 2.500 unidades até o fim de 2026.</p>
<p>A Electrolux, que completa 100 anos de presença no Brasil em 2026, inaugurou em 2025 uma fábrica de R$ 700 milhões em São José dos Pinhais, no Paraná. A unidade passou a produzir localmente liquidificadores e ventiladores antes importados. A expectativa é que a capacidade supere 5 milhões de produtos por ano em dois anos, equivalentes a 25% do faturamento de eletroportáteis da companhia no país. Em setembro, a empresa anunciou ainda um novo investimento de R$ 300 milhões em inovação em Curitiba.</p>
<p>Na defesa, o Brasil passou a contar com uma linha de montagem final do caça Gripen E em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O primeiro avião produzido no país foi apresentado pela Saab, Embraer e Força Aérea Brasileira em 25 de março. Pelo contrato assinado em 2014, o Brasil adquiriu 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monoposto e oito Gripen F biposto, das quais 15 serão montadas em Gavião Peixoto. Até março, 11 aeronaves haviam sido entregues.</p>
<p>Segundo a CNN Brasil, o contrato, que previa entregas até 2026, foi renegociado e prorrogado até 2032. A extensão do programa reforça o caráter de longo prazo da parceria industrial e tecnológica entre Saab, Embraer e a Força Aérea Brasileira.</p>
<p>Na área de veículos de passeio, a Volvo Car Brasil fechou 2025 com recorde de 9.721 carros emplacados, resultado que colocou a operação brasileira entre as 15 maiores da marca no mundo. No acumulado informado em setembro de 2026, a empresa registrava 5.007 emplacamentos e 17,7% de participação no segmento premium, mantendo a vice-liderança.</p>
<p>A eletrificação ganhou peso crescente no resultado. No primeiro semestre, veículos 100% elétricos representaram 53,2% das 3.980 unidades emplacadas pela marca. O sedã elétrico ES90 chegou ao mercado brasileiro por R$ 659.950. Já a Volvo Caminhões prepara a introdução no Brasil de veículos pesados movidos a gás natural liquefeito, tecnologia que a companhia já implementa no Chile e no Peru, embora ainda sem data de lançamento no mercado brasileiro.</p>
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